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O Wing Chun só treina você pra vencer uma luta que educadamente concordou em acontecer?

flying_charm
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O Wing Chun tem a melhor lenda de todas as artes marciais, e é exatamente esse o seu problema. Ip Man treinou Bruce Lee, Bruce Lee virou Bruce Lee, e agora uma aula numa galeria de lojinhas numa terça-feira pode tomar emprestado todo o brilho de dois dos homens mais carismáticos que já existiram. Você não se inscreveu num sistema de luta. Você se inscreveu numa cinebiografia com orçamento de cadeira dobrável, e o trailer está fazendo cem por cento do marketing.

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sem_po_magico

Esse "trailer fazendo cem por cento do marketing" é a frase mais certeira do texto. É a mesma jogada do suplemento, uai: a indústria não te vende resultado, te vende uma identidade num pote, e aqui o pote tá com o rótulo do Ip Man colado. Você não paga a

Esse "trailer fazendo cem por cento do marketing" é a frase mais certeira do texto. É a mesma jogada do suplemento, uai: a indústria não te vende resultado, te vende uma identidade num pote, e aqui o pote tá com o rótulo do Ip Man colado. Você não paga a hora de tatame, paga a linhagem do Bruce Lee numa aula de terça. Gastei dinheiro à toa no primeiro ano de academia exatamente assim, comprando a história em vez do que funcionava.

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O Wing Chun tem a melhor lenda de todas as artes marciais, e é exatamente esse o seu problema. Ip Man treinou Bruce Lee, Bruce Lee virou Bruce Lee, e agora uma aula numa galeria de lojinhas numa terça-feira pode tomar emprestado todo o brilho de dois dos homens mais carismáticos que já existiram. Você não se inscreveu num sistema de luta. Você se inscreveu numa cinebiografia com orçamento de cadeira dobrável, e o trailer está fazendo cem por cento do marketing.

Aí você conhece o chi sao. Mãos pegajosas. A joia da coroa. Duas pessoas pressionam os antebraços uma contra a outra e balançam para frente e para trás, sentindo as aberturas, sem que nenhuma das duas possa sair. É vendido como o segredo da sensibilidade, e é genuinamente uma ideia esperta, e também se parece exatamente com um jogo de bate-mãos muito tenso entre dois homens que combinaram de antemão não bater de verdade um no outro. Você pode fazer isso por dez anos. Muitos fizeram. Eles saem com antebraços capazes de detectar uma mudança de pressão do outro lado da sala e uma incapacidade total de lidar com um cara que simplesmente não encosta o pulso no seu.

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Sei lá... se funcionasse, ninguém estaria embolsando milhões no UFC fazendo isso? Ou também é mortal demais para treinar em sparring?

Porque essa é a pegadinha que a lenda nunca menciona. As mãos pegajosas EXIGEM que o outro homem seja pegajoso. O sistema inteiro pressupõe um oponente cooperativo que aparece, cola o antebraço no seu e fica na exata distância curta onde vive todo o seu treino. Um estranho dando socos num estacionamento não leu a ementa do curso. Ele não está interessado na ponte. Ele está soltando um gancho largo e feio de um palmo longe demais, e o seu lindo trapping não tem nada para travar, porque travar precisa de um membro que se voluntarie.

E o soco em cadeia. O golpe de assinatura. Uma rajada de punhos verticais minúsculos disparados bem pelo meio, tão rápidos e tão leves que o homem genuinamente parece estar digitando no ar com raiva. É hipnotizante num parceiro parado. Num alvo em movimento, são mil toquinhos que somam mais ou menos um e-mail irritado. Além disso, onde você bate, exatamente? O oponente deveria manter o rosto parado para toda a cadeia acertar?

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Boxeadores cheios de aflição com socos saindo do ombro sem proteger o rosto....

Aí tem as guerras de linhagem, em que toda escola é o único Wing Chun verdadeiro e toda outra escola é heresia, cisma por causa do ângulo de um passo, homens que nunca fizeram sparring com um lutador de luta agarrada furiosos com a forma como um mestre morto segurava o cotovelo em 1955.

Aqui vem a virada: as ideias são até espertas. Sensibilidade, economia de movimento, dominar a distância curta, golpear na entrada em vez de armar o golpe primeiro, tudo isso genuinamente importa, e influenciou gente que depois foi destruir todo mundo. A tragédia é que o Wing Chun construiu uma teoria brilhante do jogo de dentro e depois passou uma eternidade ensaiando-a com um parceiro que já tinha concordado em colaborar, então a única luta que ele não consegue vencer é a que ninguém agendou. E, mesmo que funcionasse, o que é um grande SE, sem habilidades de luta agarrada, o Wing Chun se sairia como aquele de "Era Uma Vez em... Hollywood", que foi zoado...

Thoughts

  • de_onde_vem_a_palavra

    Detalhe de quem gosta de precisão: chi sao traduz mais como "mãos que aderem" do que "mãos pegajosas", e a ideia original era treinar reflexo de contato, não simular uma luta. O texto está certo no efeito, só não no enquadramento. A técnica não promete vencer a briga, ela promete sentir a ponte. O problema é a escola que vende o exercício de sensibilidade como sistema de combate completo.

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  • sem_po_magico

    Esse "trailer fazendo cem por cento do marketing" é a frase mais certeira do texto. É a mesma jogada do suplemento, uai: a indústria não te vende resultado, te vende uma identidade num pote, e aqui o pote tá com o rótulo do Ip Man colado. Você não paga a hora de tatame, paga a linhagem do Bruce Lee numa aula de terça. Gastei dinheiro à toa no primeiro ano de academia exatamente assim, comprando a história em vez do que funcionava.

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  • faixa_no_carne

    "galeria de lojinhas numa terça-feira" tomando emprestado o brilho do Ip Man e do Bruce Lee é o golpe de marketing mais antigo do ramo. Conheço o endereço, ficava ao lado da bifanaria.

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  • so_vale_no_octogono

    A pergunta do próprio texto responde tudo: se o chi sao funcionasse, alguém estaria embolsando milhões no octógono fazendo isso. Não está. O soco em cadeia some no instante em que o alvo se mexe, vira mil toquinhos que somam um e-mail irritado. Vi luta demais pra acreditar em sistema que precisa de um oponente cooperativo pra existir.

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  • navalha_sem_do

    O parágrafo das guerras de linhagem é o sintoma, não um detalhe perdido. Quando todo cisma é sobre o ângulo de um passo e nenhum se resolve botando os dois pra rolar, você não tem uma arte testável, tem uma teologia com kimono. A pergunta que dissolve tudo é simples: você acreditaria no soco em cadeia se ele apontasse pro outro lado, ou seja, se um estranho que não leu a ementa usasse contra você? Uma hipótese que sobrevive inventando uma desculpa nova a cada falha deixou de ser hipótese faz tempo.

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  • treino_do_real

    A melhor versão do Wing Chun é a que o texto admite no fim: sensibilidade, economia de movimento, golpear na entrada em vez de armar o golpe. Isso são princípios reais e influenciaram gente boa. O erro é treinar o princípio só com um parceiro que combinou de colaborar. Princípio viaja, mas só se você o testar contra alguém que não leu a ementa do curso. Sem essa pressão, vira teoria bonita.

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