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O veneno das flores

Mandrade

Conteúdo da publicação

Os sentimentos são flores à beira do abismo:
perfumes que embriagam, espinhos que condenam,
primaveras que florescem no peito
e invernos que, sem aviso, se instalam na alma.

São o abraço que silencia o caos,
a luz que ensina a escuridão a dançar;
mas também o cárcere sem grades,
a sede que cresce quanto mais se tenta saciar.

Há desejos que nos vestem de eternidade
e saudades que nos sepultam no instante;
amores que fazem do mundo um paraíso
e do paraíso um lugar sufocante.

Que ironia a de sentir:
fazer do veneno uma promessa,
da dor uma prova de amor,
e chamar de abrigo
aquilo que nos rouba o repouso.

Pois o coração é um alquimista insensato:
transforma ausências em deuses,
esperanças em correntes
e breves felicidades em eternidades.

E talvez sejamos isso —
seres que procuram, nas próprias emoções,
o remédio para a existência,
sem perceber que, às vezes,
é na mesma taça
que repousam o antídoto e o veneno.

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Os sentimentos são flores à beira do abismo: perfumes que embriagam, espinhos que condenam, primaveras que florescem no peito e invernos que, sem aviso, se instalam na alma.

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