A mão hesita ante a madeira fria,
cavalo e dama em linha de frente:
no silêncio que o peão envenena,
na outra mão que herda a casa vaga.
Rasga-se o plano que a fenda risca,
sob o peso da rede que se tece:
retém-se o fôlego, o punho ampara,
e o olhar se perde no salão suspenso.
E volta leve para mesa escura,
no movimento que o perpétuo prende
na mudez de um rei posto em xeque.
Abrem-se os dedos e a soberba cede:
as duas mãos descansam sobre a mesa,
e o tabuleiro aceita o traço igual.