A constância se tornou frequente, frequentemente enfraquecedora. Os dias rodam em loop. Mesmo que o céu continue sendo o mesmo todas as manhãs, já não me sinto mais pertencente a esse mundo de incertezas. Minha alma se confunde. Não consigo entender o amor, eu só sinto dor, e sinto que esse é o meu castigo.
Buscamos razão, sentido para coisas pequenas, coisas distantes. Isso diz muito sobre nós: seres mortais, completos por falhas.
Um dia, seremos a incompatibilidade de alguém. Também nos tornaremos uma constância. Nossa voz será decorada, nossas expressões, marcadas, nossas manias, amadas.
No fim das contas, o amor é ser constante? Ser tão igual para alguém? Ser tão preso em uma casca que diz tudo sobre você?
Frequentemente, olhamos para dentro de nós, observamos os detalhes mais imperfeitos e lhes atribuímos o mais belo mérito. No fim, não somos definidos por erros. Uma frase manjada, vinda de um escritor tão brega.
Nossa alma entende o peso. Ela viaja por memórias, momentos, e faz dessas coisas certezas para si própria.
A alma grita, porém não pode ser ouvida. Ela sangra, mas não existe cura. Ela implora, mas não pode ser perdoada.
Buscamos a perfeição na imperfeição, e isso nunca foi o que desejamos de fato, nunca foi o que alcançamos sem antes pensarmos duas vezes. Você é feito de vazio, mesmo tendo uma alma completa.
O vento sopra, a calamidade engole o mundo e, junto a ele, nos leva a uma viagem forçada em meio à realidade. Nunca aceitaremos o nosso final e nos faremos certos naquilo que somos agora, mesmo que o mundo caia sobre nossas costas, porque é mais fácil viver no lixo do que limpar toda essa sujeira.
Assim sou eu, assim também é você. Talvez nunca sejamos compreendidos porque odiamos a compreensão, nunca a entendemos e jamais a alcançamos.
Essa corrida não se trata de chegar à linha de chegada primeiro, mas de chegar vivo, mesmo que sem uma parte de si. E isso é cruel. A vida nunca nos dará duas escolhas, apenas a mais dolorosa. E, se isso não te tornar forte, te matará.
Nunca foi sobre o momento. A sentença chega antes da hora e fecha a conta, sem saída, sem segundas chances.
Não é mero acaso, mesmo que tenhamos vindo do acaso. Os momentos são uma sequência de acontecimentos sem explicação, que te transformam no agora e te moldam para o depois.
O futuro vem repleto de incertezas. Você vive o agora e se castiga por não poder prever aquilo que te perturba.
Nós não temos controle sobre o mundo. A realidade é incerta, e a consciência continua existindo mesmo depois de a razão decidir tirar umas férias. Isso te torna capaz de ser o seu ideal, mesmo sem as condições exatas pelas quais tanto esperou.
Ser sábio nunca vai ser se adaptar às situações, mas sempre saber o que esperar, mesmo sem saber o que vem. São as improbabilidades que tornam alguém sábio. Isso vai além da dor, além do agora, porque o improvável é sentido de forma mais profunda e real do que qualquer respingo d'água que venha em direção à sua testa.
A vida nunca será compreensível, sempre será improvável. Por isso, somos todos sábios, mesmo com o pouco que temos. A vantagem de estar sempre observando o outro lado nos lembra o porquê de estarmos aqui, e isso também nos faz lembrar da caminhada até o topo.
Ser sábio vai além de ser apto a situações difíceis. Ser sábio é ser vívido antes de buscar razão.
Viva, aproveite. O agora é um momento específico, o depois é a sua próxima certeza e o passado é o inferno no qual os desgastados se condenam a viver.