Existe um motivo para o silêncio assustar tanta gente.
Enquanto o mundo faz barulho, é possível continuar fugindo.
Fugindo das perguntas.
Das lembranças.
Das saudades.
De tudo aquilo que exige ser sentido.
Mas o silêncio...
O silêncio nunca aceita distrações como resposta.
Ele espera.
Pacientemente.
Até que reste apenas você.
Talvez seja por isso que tantas pessoas preencham todos os espaços.
Ligam a televisão antes mesmo de chegar em casa.
Colocam uma música para evitar o vazio.
Dormem com algum ruído ao fundo.
Deslizam o dedo pela tela sem perceber que, às vezes, não estão procurando entretenimento.
Estão procurando distância de si mesmas.
Porque existe uma versão sua que só aparece quando o mundo finalmente se cala.
Ela não grita.
Ela não exige atenção.
Ela apenas espera.
Espera o instante em que você tenha coragem de permanecer.
E, quando esse encontro acontece, quase sempre surge uma surpresa.
O silêncio nunca esteve vazio.
Ele estava cheio de perguntas.
Cheio de memórias.
Cheio de partes suas que passaram tempo demais esperando para serem escutadas.
Talvez seja por isso que o mar acalme.
Que as montanhas silenciem.
Que uma trilha cercada por árvores pareça abraçar quem passa.
A natureza nunca tenta preencher o silêncio.
Ela apenas ensina que ele também pode ser um lugar de pertencimento.
É curioso...
Passa-se uma vida inteira aprendendo a conversar com o mundo.
Mas quase ninguém ensina a conversar consigo.
Talvez a paz nunca tenha sido a ausência de pensamentos.
Talvez ela comece no momento em que já não existe mais necessidade de fugir deles.
Porque algumas respostas nunca chegam enquanto há barulho demais.
Elas esperam.
Esperam o instante em que a sua cabeça finalmente silencia...
...para lembrar que a pessoa mais importante que você passará a vida inteira tentando conhecer sempre esteve esperando do outro lado do silêncio.