O mundo não cabe nas palavras que dizemos.
Há experiências que nos atravessam, nos desarmam e nos transformam.
Aprendemos. Mas, a cada descoberta, a vastidão se alarga para além do que os olhos alcançam.
A nossa ignorância é um céu sem margens.
E há profundezas adormecidas maiores do que toda a superfície que julgamos conhecer.
Então, o silêncio chega e desarruma as certezas.
O imprevisto nos derruba. A vida nos desloca. E aquilo que julgávamos saber já não basta para explicar o mundo.
As estações se alternam. As árvores florescem, oferecem os seus frutos e ensinam, sem palavras, que há um tempo para cada coisa.
E a nossa humildade vai crescendo com o tempo.
Porque é preciso viver para reconhecer o que ignoramos, atravessar o desconhecido e aceitar que nem tudo se revela.
Às vezes, reconhecemos o silêncio, mas não a profundidade que ele guarda.
Talvez amadurecer seja isto: descobrir que, quanto mais sabemos, maior se torna aquilo que não sabemos.