singular primeira pessoa
O POETA
— 'Vê, musa, quanto brilha um olhar a te olhar...!
Meus suspiros d'amor há muito não contenho.
Só por ti, minha bela, uma vez mais eu venho
Nas mentiras do amor de vera acreditar.'
'Não tentará o actor na persona se outrar?...
Ou o pintor ser mais belo em seu próprio desenho?...
Eu, poeta, em teu louvor co’as letras m’entretenho
Pois, para ser amado, antes procuro amar...'
'Embora, musa, o poeta ouse ter liberdades
O próprio Amor à flecha agora desferiras:
Ao me ferires, tolo e todo, de saudades.'
'Apura o ouvido, escuta: eis acordes de liras!!
São mentiras que Amor faz a mor das verdades...
Um eu te amo, em verdade, a mais bela das mentiras!'
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