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O POETA - singular primeira pessoa

RicardoC

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singular primeira pessoa

O POETA

— 'Vê, musa, quanto brilha um olhar a te olhar...!
Meus suspiros d'amor há muito não contenho.
Só por ti, minha bela, uma vez mais eu venho
Nas mentiras do amor de vera acreditar.'

'Não tentará o actor na persona se outrar?...
Ou o pintor ser mais belo em seu próprio desenho?...
Eu, poeta, em teu louvor co’as letras m’entretenho
Pois, para ser amado, antes procuro amar...'

'Embora, musa, o poeta ouse ter liberdades
O próprio Amor à flecha agora desferiras:
Ao me ferires, tolo e todo, de saudades.'

'Apura o ouvido, escuta: eis acordes de liras!!
São mentiras que Amor faz a mor das verdades...
Um eu te amo, em verdade, a mais bela das mentiras!'

* * *


Thoughts

  • Gercina

    Esse ator tentando se outrar me levou direto pro Pessoa e o outrar-se dos heterônimos, e pra Autopsicografia com o poeta fingidor. Só que aqui quem finge é o Amor, e o poeta topa acreditar de novo sabendo disso. Soa mais como um apaixonado teimoso do que como um fingidor.

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  • Ovid

    O Amor transformando mentira na maior das verdades, no último terceto, segura o soneto inteiro pra mim. Quem cai direto nesse fim acha que é cinismo, e quem vem desde a primeira estrofe, com os suspiros que ele já não contém, vê um apaixonado que só não quer dar o braço a torcer.

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