O Peso Silencioso
Cada um carrega o seu próprio peso,
uma culpa costurada no avesso da alma.
Talvez pelo eco dos planos desfeitos,
por não alcançar nada do que se desejava,
ou pelo golpe cego que, sem querer,
feriu justamente a quem mais se amou.
Há também o luto que não pede licença:
essa culpa tardia por quem já morreu,
pelas palavras que o tempo engoliu
e pelo abraço que nunca aconteceu.
Todos guardamos um erro no peito.
Para os outros, talvez um detalhe bobo,
uma bobagem qualquer que o vento levou.
Mas, para quem sente, o cenário é outro:
é um veneno lento que não faz alarde,
um segredo escuro que queima e destrói,
que aos poucos corrói
cada pedaço do corpo e da mente.
No fundo, todos queremos o perdão,
mas quem foi que disse que ele precisa do outro?
Quem inventou que o perdão deve ser compartilhado?
Ansiosos pela absolvição do mundo,
esquecemos da absolvição de nós mesmos,
sentindo culpa por apenas nos machucar.
E no fim, descobrimos o paradoxo: às vezes, o que nos aprisiona
é exatamente a liberdade de um outro.
Aceitamos as correntes em silêncio,
mas o peso do sentimento
não significa que você seja, realmente, culpado.
A culpa é igual ao egoísmo:
às vezes somos culpados de fato,
outras vezes, foi só um gatilho.
Um eco distante, causado
por mentes que já estavam quebradas
e que, no fundo, só queriam ser ouvidas...
Não por algo que fizeram,
mas por algum motivo que, talvez, nunca aconteceu.