Era apenas um pardal,
pequeno, comum, invisível ao céu.
Sonhava com alturas de águia,
mas seus voos eram rasos,
e o silêncio lhe cobrava caro.
Machucava-se na busca,
perdia-se no desejo não alcançado.
O sonho pesava como pedra,
e cada queda era um lembrete cruel:
não basta querer, é preciso agir.
No silêncio, treinava.
Ninguém via, ninguém sabia.
As asas fracas se tornavam firmes,
não pela força, mas pela disciplina.
Dia após dia, sem aplausos, sem testemunhas.
Não virou águia.
Mas aprendeu a enxergar como uma.
Descobriu que a força criadora
não nasce das asas, mas da mente.
Não é o corpo que voa primeiro,
é o acreditar que abre o céu.
E assim, o pardal se fez gigante.
Não pelo que era,
mas pelo que acreditou ser.
Transformou o impossível em caminho,
e o sonho em realidade
um voo que ninguém mais poderia negar.