INTRODUÇÃO
A mentira política não nasceu com a internet. Propaganda, manipulação de informações, censura e distorção de fatos fazem parte da história política de diferentes sociedades e foram utilizadas, em momentos distintos, por governos e movimentos de diferentes orientações ideológicas.
O que mudou profundamente com a era digital foi a velocidade, a escala e a capacidade de segmentação dessas mensagens.
Hoje, uma informação falsa pode sair de um perfil desconhecido e alcançar milhares ou milhões de pessoas em poucas horas. Redes sociais também podem favorecer conteúdos capazes de provocar medo, indignação, raiva ou sensação de ameaça. Pesquisas científicas mostram que emoções desempenham papel importante na circulação de conteúdos falsos e na percepção da hostilidade entre grupos políticos.
Por isso, a discussão sobre fake news não deve ser reduzida simplesmente à pergunta: “qual lado mente mais?”
A questão fundamental é outra:
O que acontece com uma democracia quando cidadãos passam a tomar decisões políticas com base em informações falsas, manipuladas ou deliberadamente distorcidas?
A Mentira Institucionalizada e a Erosão Democrática: O papel da desinformação, das fake news e da manipulação narrativa no debate político contemporâneo — com foco na profissionalização dessas táticas por correntes extremistas e no impacto sobre as instituições republicanas.
E assim, vemos que o avanço da desinformação em massa na política contemporânea deixou de ser um mero efeito colateral da era digital para se consolidar como uma verdadeira arma estratégica de poder. Enquanto cientistas políticos divergem sobre a transversalidade histórica do uso de inverdades — lembrando que regimes e correntes de espectros variados já recorreram à propaganda e à censura no passado —, o cenário atual exige uma análise rigorosa e sem falsas equivalências.
No Brasil e no mundo, a ascensão de correntes de extrema-direita transformou a mentira em um método sistemático de governo e campanha. Impulsionada pela arquitetura algorítmica das redes sociais, essa prática corrói o debate público, ataca a soberania nacional e ameaça os pilares do Estado Democrático de Direito.
ACORDA BRASIL: A MENTIRA, A DESINFORMAÇÃO E AS FAKE NEWS NA POLÍTICA
MINHA OPINIÃO
Na minha opinião, a mentira utilizada como instrumento político é perigosa independentemente de quem a pratique.
Não considero aceitável que esquerda, direita, centro, governos, partidos, candidatos, influenciadores ou grupos organizados utilizem falsidades deliberadas para manipular a população.
Entretanto, também considero necessário reconhecer que, no Brasil e em outros países, determinadas redes políticas contemporâneas de extrema-direita foram associadas por pesquisadores, jornalistas e organizações de checagem a estratégias digitais de desinformação, polarização e mobilização política.
Isso não significa afirmar que toda pessoa de direita seja desinformadora ou que somente a direita utilize informações falsas.
Significa reconhecer que há casos concretos, documentados e verificáveis, assim como também existem exemplos históricos de propaganda e manipulação provenientes de diferentes campos ideológicos.
Minha preocupação principal é com a transformação da mentira em método político.
Quando a informação falsa deixa de ser um erro ocasional e passa a ser repetida mesmo depois de desmentida, ela pode produzir consequências políticas reais.
Portanto, a desinformação contemporânea não é um acidente de percurso, mas um projeto de poder deliberado. Reduzir o fenômeno a uma "falha de comunicação comum a todos os lados" é ignorar a gravidade qualitativa e quantitativa do modus operandi adotado pelo bolsonarismo e por vertentes neofascistas globais.
Mentir sistematicamente sobre urnas eletrônicas, vacinas, minorias e instituições não visa apenas convencer o eleitor, mas destruir a própria noção de verdade compartilhada — condição essencial para a existência da democracia. É urgente encarar esse quadro não como um debate ideológico tradicional, mas como uma ameaça existencial à república que exige vigilância cívica, rigor institucional e forte responsabilização legal.
Descrição Crítica com Subtemas
1. A Profissionalização da Desinformação pela Extrema-Direita
Diferente de armadilhas propagandísticas esporádicas do passado, o ecossistema de desinformação ligado à extrema-direita global e ao bolsonarismo brasileiro opera de forma industrial. Campanhas coordenadas em plataformas digitais utilizam robôs, milícias digitais e influenciadores pagos para descontextualizar fatos, criar pânicos morais e deslegitimar a imprensa profissional e a justiça. Casos emblemáticos das eleições de 2018 — como a difusão de narrativas absurdas a respeito de "mamadeiras de piroca", "banheiros unissex" ou o fechamento de igrejas — demonstraram a eficácia de apelar para o medo e o preconceito para sequestrar a racionalidade do eleitor.
2. A Evolução do Populismo Digital e a Radicalização Contínua
Se no início o tom vinha de figuras centrais do movimento, hoje a dinâmica se aprofundou com herdeiros políticos e aliados que ampliaram a aposta no conflito permanente. A mentira deixou de ser apenas uma ferramenta eleitoral de momento para se tornar um modo de atuação política contínua. Mentir rotineiramente garante o engajamento fanático de bases sectarizadas, isolando-as em bolhas informacionais impermeáveis à realidade e dispostas a atacar o contraditório.
3. O Ataque Sistemático às Instituições e à Soberania Nacional
O uso político da inverdade tem um alvo claro: as instituições republicanas e a Constituição Federal. Sob o pretexto de combater um "sistema corrupto", correntes extremistas atacam o Supremo Tribunal Federal, o Congresso Nacional e o processo eleitoral sem qualquer respaldo factual. O que agrava esse cenário é a submissão de interesses pátrios a agendas externas, com lideranças e militantes buscando ativamente sanções internacionais ou interferências estrangeiras contra a soberania do próprio país em troca de ganhos político-partidários miúdos.
4. A mentira como instrumento de disputa política
A mentira política pode assumir diferentes formas: invenção completa, informação fora de contexto, manipulação de imagens, títulos enganosos, estatísticas distorcidas, teorias conspiratórias e conteúdos verdadeiros apresentados de maneira deliberadamente enganosa.
O problema aumenta quando a mensagem é construída para atingir emoções antes de estimular reflexão.
Em vez de apresentar argumentos, procura-se provocar medo.
Em vez de apresentar provas, procura-se criar suspeitas.
Em vez de discutir políticas públicas, procura-se destruir a reputação do adversário.
Esse mecanismo transforma o debate democrático em uma disputa pela percepção da realidade.
5. O caso brasileiro e as eleições de 2018
As eleições brasileiras de 2018 foram um marco importante na discussão nacional sobre desinformação digital.
O próprio Tribunal Superior Eleitoral adotou medidas específicas para enfrentar notícias falsas durante aquele processo eleitoral. Em março de 2018, o TSE informou ter instaurado procedimento para investigar possíveis irregularidades relacionadas à utilização de robôs e sites na disseminação de fake news eleitorais.
Em outubro daquele ano, a Justiça Eleitoral lançou uma página destinada a esclarecer informações falsas que circulavam nas redes sociais.
Entre os exemplos mais conhecidos daquele período está o boato posteriormente conhecido como “mamadeira de piroca”, associado ao chamado “kit gay”. Checagens posteriores registraram que não havia evidência de que o objeto apresentado em vídeos tivesse sido distribuído pelo PT em creches como parte de um programa partidário.
Também circularam diversas outras narrativas eleitorais falsas ou enganosas, inclusive sobre urnas eletrônicas e o processo eleitoral. O TSE posteriormente registrou que algumas dessas alegações voltaram a circular anos depois.
Esses episódios mostram uma questão importante:
Uma mentira eleitoral não precisa ser verdadeira para produzir efeitos políticos. Basta que seja suficientemente convincente para ser compartilhada.
6. A extrema-direita e a desinformação contemporânea
É legítimo analisar criticamente o papel de setores da extrema-direita na produção e circulação de determinadas narrativas falsas.
No Brasil, pesquisadores, jornalistas e organizações de checagem documentaram diferentes episódios de desinformação relacionados ao ambiente político bolsonarista.
Entretanto, é necessário evitar uma generalização.
Nem todo eleitor de direita é extremista, nem toda pessoa conservadora é desinformadora.
Da mesma maneira, não seria correto afirmar que a esquerda está historicamente imune à propaganda, à manipulação ou à disseminação de informações falsas.
A crítica democrática precisa ser dirigida a práticas concretas, identificando autores, conteúdos, evidências e circunstâncias.
7. A mentira não pertence exclusivamente a um lado ideológico
A história demonstra que propaganda política e manipulação de informações podem ser utilizadas por diferentes correntes políticas.
Regimes autoritários de diferentes orientações ideológicas utilizaram propaganda estatal, censura e controle da informação.
Portanto, combater fake news não pode significar criar uma espécie de “licença” para combater somente a mentira do adversário.
A regra precisa ser universal:
Se é falso, deve ser corrigido, independentemente de quem publicou.
Se uma informação é verdadeira, deve ser preservada mesmo quando prejudica o grupo político de nossa preferência.
Essa é uma das bases da responsabilidade democrática.
8. A tecnologia aumentou o poder da desinformação
A internet não inventou a mentira.
Mas transformou profundamente sua capacidade de circulação.
Estudos sobre redes sociais indicam que conteúdos emocionalmente carregados podem alcançar maior circulação e influenciar a percepção das pessoas sobre conflitos políticos. Uma pesquisa publicada na Scientific Reports, por exemplo, analisou mais de 126 mil cascatas de rumores e encontrou associação entre determinados elementos emocionais e a maior difusão de rumores falsos.
Outro estudo publicado em 2023 na Nature Human Behaviour mostrou que usuários podem superestimar o nível de indignação moral existente nas redes, contribuindo para percepções exageradas de hostilidade entre grupos políticos.
Isso ajuda a compreender por que conteúdos que provocam raiva, medo ou indignação podem ser particularmente perigosos para o debate público.
9. O problema do fanatismo político
O fanatismo político começa quando a pessoa deixa de perguntar:
“Isso é verdade?”
e passa a perguntar:
“Isso favorece o meu lado?”
Quando chegamos a esse ponto, qualquer mentira contra o adversário pode ser aceita como verdade.
É assim que a política deixa de ser uma disputa entre propostas e passa a ser uma guerra de identidades.
O adversário deixa de ser um cidadão com opinião diferente e passa a ser tratado como inimigo.
Esse ambiente favorece discursos de ódio, teorias conspiratórias e ataques às instituições.
10. Fé religiosa e política
Também é necessário fazer uma distinção importante.
A fé religiosa pertence à liberdade de consciência de cada cidadão.
Cristãos, católicos, evangélicos, espíritas, pessoas de outras religiões e pessoas sem religião têm o mesmo direito de participar da vida política.
O problema não está na fé.
O problema surge quando qualquer religião é utilizada para justificar intolerância, desinformação, perseguição política ou rejeição automática dos fatos.
A democracia não exige que ninguém abandone sua fé.
Exige que todos reconheçam que, no espaço público, argumentos políticos devem poder ser examinados por evidências e pelo contraditório.
11. Quando a mentira ataca as instituições
Outro perigo aparece quando informações falsas são utilizadas para desacreditar sistematicamente instituições democráticas.
Imprensa, Judiciário, Parlamento, Justiça Eleitoral, universidades e órgãos públicos podem e devem ser criticados.
Mas crítica é diferente de acusação sem provas.
Questionar uma instituição faz parte da democracia.
Destruí-la na opinião pública por meio de informações falsas é outra coisa.
O cidadão precisa aprender a perguntar:
Qual é a fonte?
Existe documento?
Existe evidência independente?
Outros veículos confiáveis confirmaram?
A informação foi retirada de contexto?
Quem ganha com a sua divulgação?
12. A mentira também pode atravessar o espectro político
Não podemos combater a desinformação utilizando outra desinformação.
Não podemos denunciar uma mentira enquanto reproduzimos outra.
Não podemos exigir responsabilidade dos adversários e abandonar a responsabilidade quando o conteúdo favorece nosso próprio campo político.
Essa é uma das maiores armadilhas da polarização.
A verdade não deveria ter partido.
A verdade não deveria ter candidato.
A verdade não deveria depender de ideologia.
REFUTAÇÃO
Diante de tudo isso, é preciso refutar uma ideia perigosa: a de que “todo mundo mente, portanto não importa quem mente”.
Importa, sim.
Cada caso precisa ser investigado.
Se determinado grupo político dissemina uma informação falsa, isso deve ser documentado e criticado.
Se outro grupo faz exatamente a mesma coisa, também deve ser documentado e criticado.
A existência de mentiras em diferentes campos políticos não transforma todas as acusações em equivalentes nem significa que todas as campanhas de desinformação tenham a mesma dimensão, alcance ou evidência.
É justamente por isso que precisamos sair da lógica do:
“Eu acredito porque veio do meu lado.”
E entrar na lógica do:
“Eu acredito porque existem evidências verificáveis.”
O próprio TSE mantém mecanismos de esclarecimento e checagem justamente porque a desinformação eleitoral pode comprometer a capacidade do eleitor de fazer uma escolha informada.
Análise Informativa, Advertência e Comentário Final
Refutação e Análise Informativa
Embora historiadores apontem com precisão que a propaganda, a manipulação de fatos e a censura foram utilizadas por diferentes correntes ideológicas ao longo do século XX — tanto à esquerda quanto à direita —, tentar equiparar a desinformação digital de massa de hoje com o passado serve para relativizar perigos atuais. A diferença central reside na escala, na velocidade e na intencionalidade sistêmica: as redes sociais permitiram que mentiras customizadas chegassem a milhões de pessoas em segundos, minando a base epistemológica do debate público de forma inédita e barateando o custo político de mentir descaradamente.
A democracia não depende apenas do direito de votar.
Depende também do direito de votar bem informado.
O voto é livre quando o cidadão pode comparar propostas, verificar informações, conhecer o histórico dos candidatos e formar sua própria opinião sem ser manipulado por falsidades deliberadas.
Por isso, antes de compartilhar uma mensagem política, precisamos aprender a parar.
Pare. Leia. Pesquise. Compare. Verifique. Só depois compartilhe.
Uma mentira compartilhada milhares de vezes não se transforma em verdade.
Uma acusação repetida diariamente não se transforma automaticamente em prova.
Uma imagem viral não substitui um documento.
Um vídeo editado não substitui o contexto completo.
E uma opinião política não substitui um fato verificável.
O avanço da inteligência artificial torna essa preocupação ainda maior, porque conteúdos manipulados podem se tornar cada vez mais convincentes. Pesquisas recentes já demonstram dificuldades das pessoas para identificar determinados deepfakes políticos de alta plausibilidade.
Portanto, a educação midiática, a checagem de fatos, a transparência das plataformas, a responsabilidade de agentes políticos e a capacidade individual de verificar informações tornam-se elementos fundamentais da defesa democrática.
ADVERTÊNCIA
ACORDA, BRASIL!
Não permita que o medo escolha por você.
Não permita que o ódio pense por você.
Não permita que um vídeo sem fonte decida sua opinião.
Não permita que uma corrente de WhatsApp substitua a investigação dos fatos.
Não entregue sua consciência política a quem exige que você acredite cegamente.
Seu voto é um instrumento de cidadania.
Seu voto não tem preço; tem consequências.
Por isso, antes de escolher qualquer candidato, partido ou projeto político, procure conhecer fatos, propostas, histórico, documentos e fontes independentes.
Não entregue seu voto a quem vive atacando a Constituição ou as instituições republicanas sem apresentar evidências para suas acusações.
Mas também não entregue seu voto simplesmente porque alguém se apresenta como defensor da democracia.
Analise. Questione. Confira. Compare. Decida por conta própria.
Comentário final
Acorda, Brasil! O seu voto não tem preço; ele tem consequências imensas e define o rumo de nossa nação. Não entregue o passaporte do futuro a quem vive destilando ódio contra a nossa Constituição, tripudiasse sobre as leis e ataca as instituições republicanas sem qualquer fundamentação na realidade.
É preciso também fazer um alerta severo aos cidadãos que se deixam cegar pelo fanatismo político travestido de fé, seja ela evangélica ou católica: misturar dogmas religiosos com o extremismo ideológico é uma traição aos próprios valores espirituais que dizem defender. O obscurantismo e a mentira institucionalizada não salvam valores; destroem a república. Saiam da escuridão do fanatismo e recuperem o compromisso cívico com a verdade e com a democracia.
O Brasil não precisa de uma guerra entre brasileiros.
Precisa de cidadãos capazes de discordar sem transformar o adversário em inimigo.
Precisa de política com argumentos.
Precisa de crítica com evidências.
Precisa de liberdade com responsabilidade.
E precisa, acima de tudo, de uma sociedade que não permita que a mentira seja mais poderosa do que os fatos.
Acorda, Brasil!
Não importa de que lado venha a mentira: mentira continua sendo mentira.
Não importa quem compartilha a desinformação: informação falsa continua sendo falsa.
E não importa qual seja nossa preferência política: a democracia depende da nossa capacidade de reconhecer a realidade.
Antes de acreditar, verifique.
Antes de compartilhar, pense.
Antes de votar, informe-se.
Porque o futuro de uma nação não deve ser decidido pela força da mentira, mas pela consciência de seus cidadãos.
MINHA OPINIÃO FINAL SOBRE O USO DA FÉ PARA DEFENDER POLÍTICOS — REPÚDIO À MENTIRA, À DESINFORMAÇÃO E À MANIPULAÇÃO DA FÉ CRISTÃ.
Na minha opinião, é profundamente repugnante o uso deliberado da mentira, da desinformação e das chamadas fake news como instrumentos de disputa política. A política pode e deve ser marcada por divergências, críticas e diferentes visões de mundo, mas não deveria transformar a falsificação dos fatos em método para enganar, manipular e colocar cidadãos uns contra os outros.
O que considero ainda mais preocupante é quando a mentira política encontra espaço dentro de ambientes religiosos. A fé deveria ser um espaço de consciência, solidariedade, responsabilidade, esperança e busca pela verdade — não um instrumento para espalhar boatos, demonizar adversários ou transformar divergências políticas em supostas batalhas entre o bem e o mal.
É preciso deixar claro que minha crítica não é contra as igrejas evangélicas, nem contra os evangélicos como grupo religioso. Existem milhões de cristãos que exercem sua fé com honestidade, respeito ao próximo e compromisso com a verdade. Minha repugnância é dirigida àqueles que, independentemente da religião ou posição política, utilizam a fé para dar aparência de verdade a informações falsas ou manipuladas.
Quando uma mentira é apresentada como se fosse uma verdade porque foi pronunciada dentro de uma igreja, por um líder religioso ou compartilhada por alguém considerado uma autoridade espiritual, o problema se torna ainda mais grave. A confiança religiosa pode ser utilizada para reduzir o senso crítico das pessoas e fazer com que informações sem comprovação sejam aceitas sem questionamento.
A POLITIZAÇÃO DA FÉ
Também considero preocupante quando determinados espaços religiosos passam a funcionar como ambientes de propaganda política, nos quais o fiel é pressionado a enxergar determinado candidato, partido ou grupo político como representante exclusivo dos valores cristãos.
A democracia não deveria exigir que uma pessoa abandonasse sua consciência individual para seguir uma orientação política apresentada como obrigação religiosa.
Cristãos podem ser de esquerda, centro ou direita. Podem apoiar diferentes partidos e candidatos. O que não deveria mudar é o compromisso com a verdade, com a dignidade humana e com o respeito ao próximo.
QUANDO A MENTIRA VIRA INSTRUMENTO DE FÉ
Uma das coisas que mais me causa indignação é observar a circulação de mensagens falsas acompanhadas de frases religiosas, versículos bíblicos ou apelos emocionais para convencer as pessoas a compartilhá-las.
A presença de uma referência bíblica não transforma uma informação falsa em verdadeira.
Uma mentira continua sendo mentira, mesmo quando é acompanhada pelo nome de Deus.
E uma informação verdadeira não deixa de ser verdadeira apenas porque contradiz a preferência política de alguém.
Por isso, considero indispensável que qualquer pessoa — religiosa ou não — aprenda a perguntar: qual é a fonte? Existe comprovação? Quem publicou essa informação? Há outras fontes independentes confirmando o fato?
MINHA ADVERTÊNCIA
Minha advertência é simples: não devemos entregar nossa consciência às redes sociais, aos políticos, aos influenciadores ou aos líderes religiosos.
A fé merece respeito. A política merece debate. E a verdade merece responsabilidade.
Quando a religião é utilizada para espalhar ódio, medo, perseguição e desinformação, perde-se algo fundamental: a capacidade de distinguir convicção pessoal de fato comprovado.
Discordar politicamente é legítimo. Mentir deliberadamente para manipular pessoas é outra coisa.
Por isso, repudio toda forma de mentira política e toda tentativa de utilizar a fé cristã como instrumento de manipulação, independentemente de quem pratique, de qual partido defenda ou de qual igreja frequente.
Para mim, defender a verdade não é defender um partido. É defender a responsabilidade de cada cidadão diante daquilo que acredita, compartilha e transmite aos outros.
E, sobretudo, acredito que nenhuma disputa política deveria ser capaz de destruir aquilo que uma sociedade democrática precisa preservar: respeito, consciência, liberdade de pensamento, diálogo e compromisso com a verdade.
O AVANÇO DA DESINFORMAÇÃO DENTRO DAS IGREJAS
O que mais me causa repugnância nesse fenômeno é perceber que a mentira e a desinformação não ficaram restritas às redes sociais ou aos discursos de políticos. Elas também passaram a encontrar espaço em ambientes que, em princípio, deveriam ser comprometidos com a verdade, a ética, a responsabilidade e o cuidado com o próximo.
Não estou falando das igrejas evangélicas como um todo, nem dos evangélicos como grupo. Seria injusto e intelectualmente desonesto fazer essa generalização. Minha crítica é dirigida a um fenômeno específico: a entrada e a normalização da desinformação política em determinados ambientes religiosos, especialmente quando ela é reproduzida ou legitimada por pessoas que possuem autoridade espiritual.
Isso é particularmente preocupante porque uma igreja não é apenas um espaço de convivência. Para muitas pessoas, o pastor, o líder, o presbítero, o diácono ou outro dirigente religioso é alguém em quem existe um elevado grau de confiança. Quando uma informação política falsa é apresentada nesse ambiente, ela pode adquirir uma autoridade que não teria se fosse simplesmente uma publicação desconhecida nas redes sociais.
QUANDO O PÚLPITO SE TRANSFORMA EM ESPAÇO DE DISPUTA POLÍTICA
Existe uma diferença importante entre um cristão exercer sua cidadania e uma liderança religiosa transformar a comunidade de fé em instrumento de mobilização política.
É legítimo que um pastor tenha suas convicções políticas. É legítimo que qualquer cidadão participe do debate público. O problema começa quando a autoridade religiosa é utilizada para apresentar uma preferência política como se fosse uma exigência da própria fé.
Nesse ambiente, o adversário político deixa de ser simplesmente alguém que pensa diferente e passa a ser apresentado como alguém moralmente inferior, inimigo da família, inimigo da igreja ou até inimigo de Deus.
É nesse ponto que a política deixa de ser apenas política.
Quando uma escolha eleitoral passa a ser tratada como teste de fidelidade religiosa, cria-se uma pressão perigosa sobre a consciência dos fiéis. A pessoa deixa de perguntar "qual proposta considero melhor?" e passa a perguntar "qual opção a minha igreja espera que eu escolha?"
Para mim, isso é uma distorção profunda da liberdade de consciência.
O PODER DAS REDES SOCIAIS
As redes sociais agravaram esse problema porque transformaram cada membro da comunidade em potencial distribuidor de informação.
Uma mensagem chega em um grupo de WhatsApp. Depois é encaminhada para outro grupo. Alguém acrescenta uma frase religiosa. Outro coloca um versículo bíblico. Um terceiro afirma que recebeu a informação de uma "fonte confiável". Em pouco tempo, algo que nunca foi verificado começa a circular como se fosse um fato comprovado.
E quanto mais pessoas conhecidas compartilham, maior parece ser sua credibilidade.
É assim que a mentira pode adquirir uma aparência de verdade.
O problema não está apenas em quem cria uma informação falsa. Também existe responsabilidade de quem a recebe e compartilha sem verificar.
Dentro das comunidades religiosas, isso merece atenção especial porque existe um elemento adicional: a confiança.
Uma pessoa pode compartilhar determinada mensagem não porque tenha investigado sua veracidade, mas porque acredita que "se veio de alguém da igreja, deve ser verdade".
Esse raciocínio é perigoso.
A UTILIZAÇÃO DA BÍBLIA PARA VALIDAR INFORMAÇÕES POLÍTICAS
Outro aspecto que considero particularmente grave é a utilização de versículos bíblicos para legitimar informações que não possuem qualquer comprovação.
Um texto religioso pode transmitir uma mensagem espiritual, moral ou teológica. Ele não funciona como certificado de autenticidade para uma notícia política.
Colocar o nome de Deus em uma mensagem não transforma uma mentira em verdade.
Citar um versículo antes de uma acusação contra determinado político não comprova a acusação.
Compartilhar uma mensagem dentro de um grupo de oração não elimina a necessidade de verificar sua fonte.
E, para mim, utilizar deliberadamente a fé para dar credibilidade a uma informação falsa é uma forma especialmente grave de manipulação.
O MEDO COMO INSTRUMENTO DE MOBILIZAÇÃO
Também me preocupa o uso constante do medo.
Mensagens dizendo que determinada eleição significará o fim da igreja, a destruição da família, a perseguição imediata dos cristãos ou alguma espécie de catástrofe nacional podem produzir forte reação emocional.
Algumas ameaças podem ser objeto legítimo de debate quando existem evidências concretas. O problema está em transformar possibilidades políticas em certezas apocalípticas sem apresentar evidências suficientes.
O medo reduz a disposição para ouvir o outro.
Quando uma pessoa acredita que seu adversário político representa uma ameaça existencial, ela pode começar a considerar legítimo qualquer método utilizado para derrotá-lo — inclusive a mentira.
É justamente aí que a desinformação se torna particularmente perigosa.
O "NÓS CONTRA ELES"
Outro mecanismo que considero preocupante é a construção permanente de uma divisão entre "nós" e "eles".
"Nós somos os cristãos."
"Eles são contra Deus."
"Nós defendemos a família."
"Eles querem destruí-la."
"Nós somos os cidadãos de bem."
"Eles são nossos inimigos."
Esse tipo de discurso simplifica uma realidade complexa e transforma adversários políticos em inimigos morais.
Mas uma democracia é formada por pessoas diferentes.
Nem todo cristão pensa da mesma maneira.
Nem todo conservador pensa da mesma maneira.
Nem todo progressista pensa da mesma maneira.
E ninguém deveria ter sua fé ou seu caráter definidos automaticamente pelo candidato em quem vota.
A RESPONSABILIDADE DOS LÍDERES
Quanto maior a autoridade de uma pessoa dentro de uma comunidade, maior deveria ser sua responsabilidade com aquilo que transmite.
Um líder religioso não deveria considerar suficiente dizer "recebi esta informação" ou "todo mundo está falando sobre isso".
Deveria existir o compromisso de verificar antes de compartilhar, especialmente quando a informação envolve acusações graves, eleições, candidatos, partidos ou grupos sociais.
E quando uma informação divulgada se mostra falsa, existe também uma responsabilidade moral de reconhecer o erro e corrigi-lo.
Para mim, admitir um erro não diminui uma liderança. Pelo contrário: demonstra honestidade.
O que considero preocupante é quando uma pessoa recebe evidências de que determinada informação era falsa e, mesmo assim, continua defendendo-a porque ela favorece sua posição política.
Nesse momento, a verdade deixa de ser o critério.
A IGREJA NÃO DEVERIA TER MEDO DA VERDADE
Uma comunidade de fé que realmente valoriza a verdade não deveria precisar de mentiras para defender suas convicções.
Se uma ideia é boa, ela pode ser debatida.
Se uma proposta política é adequada, pode ser defendida com argumentos.
Se uma política pública produz determinado efeito, é possível apresentar dados.
Se um político cometeu determinado ato, é possível apresentar documentos e fontes.
Não é necessário inventar histórias, fabricar inimigos ou espalhar boatos.
Por isso, minha crítica não é à participação dos cristãos na política. Pelo contrário: considero legítima e necessária a participação política de cidadãos religiosos.
Minha crítica é à substituição do debate responsável pela manipulação emocional e pela desinformação.
MINHA INDIGNAÇÃO
O que me causa maior indignação é ver pessoas que afirmam defender a verdade relativizarem a própria verdade quando ela deixa de favorecer seu lado político.
A verdade não pode ter partido.
A honestidade não pode depender da eleição.
A ética não pode mudar conforme o candidato.
E a fé não deveria ser utilizada como escudo contra fatos que contradizem nossas próprias convicções.
Se uma informação falsa beneficia "o meu lado", ela continua sendo falsa.
Se uma informação verdadeira prejudica "o meu lado", ela continua sendo verdadeira.
Esse deveria ser um princípio básico para qualquer pessoa, mas deveria ser ainda mais importante para quem afirma orientar sua vida por princípios religiosos.
CONCLUSÃO
Não acredito que o caminho seja afastar a religião da sociedade ou impedir que cristãos participem da política. O caminho, na minha visão, é exatamente o contrário: mais responsabilidade, mais consciência, mais educação para a cidadania e mais compromisso com a verdade.
As igrejas podem contribuir para uma sociedade mais democrática quando ensinam seus membros a pensar, questionar, verificar informações, respeitar quem discorda e exercer a cidadania com consciência.
O problema começa quando o púlpito deixa de formar consciências e passa a formar torcidas.
Quando a fé deixa de aproximar pessoas e passa a classificá-las entre "bons" e "maus" conforme sua preferência eleitoral.
Quando a Bíblia é utilizada para dar autoridade a boatos.
Quando o medo substitui o argumento.
Quando a mentira é perdoada simplesmente porque favorece o grupo ao qual pertencemos.
É isso que eu repudio.
Não repudio a fé evangélica. Não repudio os evangélicos. Não repudio a participação dos cristãos na política.
Repudio a manipulação da fé.
Repudio a mentira.
Repudio a desinformação.
E repudio, sobretudo, a ideia de que uma mentira se torna aceitável quando é contada em nome de uma causa que consideramos justa.
Porque, no final, quando uma comunidade religiosa precisa da mentira para defender aquilo em que acredita, o problema já não está apenas na política.
Está na maneira como estamos tratando a própria verdade.
Na minha opinião, é profundamente repugnante o uso deliberado da mentira, da desinformação e das chamadas fake news como instrumentos de disputa política. A política pode e deve ser marcada por divergências, críticas e diferentes visões de mundo, mas não deveria transformar a falsificação dos fatos em método para enganar, manipular e colocar cidadãos uns contra os outros.
O que considero ainda mais preocupante é quando a mentira política encontra espaço dentro de ambientes religiosos. A fé deveria ser um espaço de consciência, solidariedade, responsabilidade, esperança e busca pela verdade — não um instrumento para espalhar boatos, demonizar adversários ou transformar divergências políticas em supostas batalhas entre o bem e o mal.
É preciso deixar claro que minha crítica não é contra as igrejas evangélicas, nem contra os evangélicos como grupo religioso. Existem milhões de cristãos que exercem sua fé com honestidade, respeito ao próximo e compromisso com a verdade. Minha repugnância é dirigida àqueles que, independentemente da religião ou posição política, utilizam a fé para dar aparência de verdade a informações falsas ou manipuladas.
Quando uma mentira é apresentada como se fosse uma verdade porque foi pronunciada dentro de uma igreja, por um líder religioso ou compartilhada por alguém considerado uma autoridade espiritual, o problema se torna ainda mais grave. A confiança religiosa pode ser utilizada para reduzir o senso crítico das pessoas e fazer com que informações sem comprovação sejam aceitas sem questionamento.