Uma vez carreguei uma moça que ia levar os troços da mãe pra longe. Mochila, bolsa, tudo. Ela falava que era de gente que precisava recomeçar, bem parecido com cê.
O Livro Dos Sonhos
Capítulo 11 - A CORRIDA PELO OURO
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Uma vez carreguei uma moça que ia levar os troços da mãe pra longe. Mochila, bolsa, tudo. Ela falava que era de gente que precisava recomeçar, bem parecido com cê.
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Capítulo 11 - A CORRIDA PELO OURO
Capítulo 11 — A Corrida Pelo Ouro
A Corrida Pelo Ouro.
À primeira vista, parece uma história sobre dinheiro.
Sobre riqueza.
Sobre ouro, prata, diamantes, relógios e tudo aquilo que o ser humano procura para se sentir seguro, próspero ou realizado.
Mas, para mim, a corrida pelo ouro foi muito mais do que isso.
Foi uma corrida em busca de um recomeço.
Foi uma corrida para descobrir o meu próprio valor.
E, no fim das contas, enquanto eu carregava o ouro dos outros, Deus estava lapidando o meu próprio ser.
Naquela época, eu estava desempregado.
Meu pai trabalhava como vigia em um hotel. Foi lá que ele conheceu Regina, uma senhora muito simpática, educada e querida, que morava em um apartamento dentro do próprio hotel.
Meu pai sempre teve facilidade para conversar com as pessoas.
Gostava de gente.
Gostava de ajudar.
Era educado e sabia entrar nos lugares com respeito.
Foi assim que criou uma amizade com Regina.
Um dia, enquanto conversavam, ela perguntou:
— Por que seu filho não leva o currículo na joalheria do meu filho?
O filho dela era Fábio, dono de uma joalheria no Centro de Cabo Frio.
Ele trabalhava com ouro, prata, pedras preciosas e relógios.
Regina explicou que, se eu tivesse alguma experiência com vendas e atendimento ao público, talvez pudesse conseguir uma oportunidade.
Eu tinha.
Antes disso, havia trabalhado em uma farmácia, atendendo clientes e aprendendo a vender.
Então levei meu currículo.
Fábio me aceitou.
E aquela oportunidade chegou justamente quando eu estava atravessando uma das fases mais difíceis da minha vida.
Eu havia acabado de terminar meu primeiro casamento.
Estava emocionalmente abalado.
Carregava uma dor que ainda não sabia explicar direito.
Mas, como tantas vezes aconteceu na minha vida, quando uma porta parecia se fechar, outra começou a se abrir.
E eu entrei.
A joalheria tinha apenas três funcionários.
Vivi, que cuidava da administração.
Um ourives, cujo nome hoje já não consigo lembrar, mas de quem guardo a imagem trabalhando cuidadosamente na produção das joias.
E Fábio, o proprietário.
Fábio era um homem extremamente inteligente.
Advogado.
Empreendedor.
Conhecia muito de negócios.
Sabia trabalhar um produto com qualidade e beleza.
Também era uma pessoa muito nervosa.
Quando ficava irritado, ficava vermelho.
Às vezes gritava.
Às vezes se estressava com clientes e funcionários.
Mas também era sorridente, divertido e, acima de tudo, alguém que me ensinou muito.
Foi ali que comecei a conhecer o ouro de verdade.
Aprendi sobre fundição.
Aprendi sobre prata.
Aprendi sobre pedras.
Aprendi sobre cravação.
Aprendi a observar o trabalho minucioso dos ourives.
Eu via uma pequena peça de metal se transformar em uma joia.
Via pedras preciosas sendo cuidadosamente colocadas em seus lugares.
Via relógios desmontados e reconstruídos.
Era uma arte.
E eu estava aprendendo.
Também comecei a mudar.
Eu tinha acabado de sair de um casamento e estava solteiro novamente.
Comecei a me vestir melhor.
Cuidar mais de mim.
Cortar o cabelo.
Me arrumar.
Perceber meu próprio corpo.
E comecei a chamar atenção.
Mulheres conversavam comigo.
Algumas se aproximavam.
Eu comecei a olhar para mim mesmo de outra maneira.
Depois de passar por uma separação que tinha mexido profundamente com minha autoestima, comecei a perceber:
não era o fim.
Eu não havia deixado de ter valor porque uma relação terminou.
Eu continuava sendo eu.
Eu continuava tendo qualidades.
Continuava podendo amar.
Continuava podendo ser amado.
Foi uma descoberta importante.
E talvez uma das primeiras lapidações daquele período tenha sido justamente essa:
aprender a me enxergar novamente.
A joalheria era uma mistura de coisas.
Tinha aprendizado.
Tinha dinheiro.
Tinha beleza.
Tinha luxo.
Tinha trabalho.
Tinha amizade.
E tinha muita loucura.
Até momentos engraçados aconteceram ali.
Eu estava sozinho na loja em algumas ocasiões.
Certa vez, uma garota que costumava conversar comigo na porta apareceu.
E simplesmente roubou um beijo.
Um beijo daqueles de cinema.
Na porta da joalheria.
E eu fiquei ali, tentando entender o que tinha acabado de acontecer.
Era uma fase curiosa da minha vida.
Eu estava descobrindo novamente quem eu era.
Também conheci mulheres, vivi histórias rápidas e intensas.
Conheci Cátia.
Conheci Roberta.
Foram histórias curtas, mas algumas foram intensas como uma tempestade.
Era tiro, porrada e bomba.
Visceral.
A vida estava acontecendo rápido.
Mas havia algo ainda maior acontecendo.
Fábio começou a confiar em mim.
E essa confiança me levou para o Rio de Janeiro.
Todo sábado, ele me dava dinheiro para as despesas e me entregava uma mochila cheia de joias e relógios que precisavam ser consertados.
Era uma responsabilidade enorme para alguém tão jovem.
Eu tinha pouco mais de vinte anos.
E carregava mercadorias avaliadas em quase duzentos mil reais.
Além disso, levava dinheiro vivo.
Não existia Pix naquela época.
Era dinheiro na mão.
Joias na mochila.
E o Centro do Rio de Janeiro pela frente.
Eu precisava levar aquelas peças para relojoeiros, ourives e profissionais especializados que Fábio conhecia no Rio.
Havia trabalhos que simplesmente não podiam ser feitos em Cabo Frio.
Então eu ia.
Todo sábado.
Eu precisava aprender a andar no Rio.
Não apenas andar.
Sobreviver.
Era uma cidade movimentada, cheia de gente, vendedores, abordagens e situações inesperadas.
Algumas pessoas tentavam me parar oferecendo serviços.
“Deixa eu engraxar seu sapato.”
“Quer cortar o cabelo?”
“Quer uma massagem?”
Eu precisava ficar atento.
Criei minhas próprias estratégias.
A mochila nunca ficava nas minhas costas.
Eu colocava na frente.
Contra o corpo.
Protegida.
Eu andava no meio da multidão tentando não chamar atenção.
E, ao mesmo tempo, vivia tudo aquilo com a curiosidade de um jovem que estava descobrindo um mundo novo.
Eu via os prédios enormes.
Os arranha-céus.
As ruas movimentadas.
As diferentes culturas.
A mistura de classes.
A arte.
As pessoas.
O Rio parecia uma cidade feita de contrastes.
Favela e luxo.
Simplicidade e riqueza.
Caos e beleza.
Tudo junto.
Uma verdadeira metrópole.
E eu estava ali.
No meio daquela multidão.
Com uma mochila de joias na frente do corpo.
E um mundo inteiro acontecendo diante dos meus olhos.
Foi durante essas viagens que conheci lugares que jamais imaginaria conhecer.
Passei pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Vi o Museu do Amanhã.
Conheci partes da cidade que antes pareciam distantes da minha realidade.
E um dos lugares que mais me marcou foi o Real Gabinete Português de Leitura.
Eu entrei naquele lugar sem imaginar o que aconteceria anos depois.
Vi aquelas prateleiras gigantes.
Centenas, milhares de livros.
Histórias de pessoas que eu admirava.
Escritores que eu conhecia apenas pelos nomes.
Livros que pareciam carregar vidas inteiras dentro deles.
E eu estava ali.
Um jovem carregando uma mochila com aproximadamente duzentos mil reais em joias.
Sem imaginar que, algum dia, teria um livro publicado.
Sem imaginar que meu nome estaria em uma capa.
Sem imaginar que eu também poderia me tornar um escritor.
Naquele dia, eu estava cercado por histórias.
E ainda não sabia que um dia escreveria a minha.
Eu olhava para os livros e pensava na grandiosidade daquilo.
Pessoas gigantescas.
Histórias gigantescas.
Obras que atravessaram gerações.
E eu, ali, ainda tentando descobrir quem eu era.
Hoje, quando lembro daquela cena, parece quase uma profecia.
Eu entrei carregando riquezas que pertenciam a outras pessoas.
E saí carregando, sem perceber, um sonho.
Também havia uma coisa que sempre me impressionava.
As joias.
Os diamantes.
O ouro.
Antes de conhecer aquele universo, eu imaginava que algo tão valioso deveria estar sempre escondido.
Guardado em cofres.
Protegido como um tesouro.
Mas, nas oficinas, eu via diamantes enormes dentro de caixas simples.
Caixas de papelão.
Pedras preciosas sobre bancadas.
O extraordinário fazia parte do cotidiano.
E isso me lembrava uma cena de Loki, quando as Joias do Infinito, que em outro contexto representam um poder gigantesco, aparecem tratadas como algo comum, quase sem importância.
Aquilo me fez pensar.
O valor de alguma coisa também depende do olhar de quem a observa.
Para alguns, era apenas uma pedra.
Para outros, era uma joia.
Para alguém, poderia representar dinheiro.
Para outro, poderia representar uma história de família.
E foi justamente isso que comecei a entender.
Muitas das joias que eu transportava não eram preciosas apenas pelo valor financeiro.
Algumas carregavam sentimentos.
Relógios que haviam pertencido a pais falecidos.
Joias que passavam de geração em geração.
Peças que pertenciam a avós, bisavós e até gerações anteriores.
Eu não carregava apenas ouro.
Carregava histórias.
Carregava memórias.
Carregava sentimentos.
Carregava pedaços da vida de outras pessoas.
E tudo isso estava dentro de uma simples mochila.
Enquanto eu atravessava o Rio, também pensava no tempo.
Uma vez, observei um relojoeiro trabalhando.
Ele segurava pequenas peças com uma delicadeza impressionante.
Engrenagens minúsculas.
Ponteiros.
Mecanismos.
Tudo funcionando dentro de uma pequena caixa.
E eu pensei:
Como pode o tempo ser tão grandioso e caber dentro de uma caixinha tão pequena?
O tempo é uma das maiores forças que existem.
Ele transforma pessoas.
Muda histórias.
Cura feridas.
Envelhece corpos.
Cria memórias.
E, ainda assim, estava ali diante dos meus olhos, representado por pequenas engrenagens.
O relojoeiro me chamava:
— Olha isso aqui.
E mostrava uma engrenagem.
Depois outra.
Explicava como tudo funcionava.
Eu observava maravilhado.
Era quase como observar o próprio universo em miniatura.
E os ourives também me ensinavam.
Eu via pedras sendo cravadas.
Metais sendo trabalhados.
Peças sendo moldadas.
Diamantes recebendo seus lugares.
Tudo com precisão.
Tudo com paciência.
Tudo com delicadeza.
E comecei a perceber uma coisa:
eu também estava sendo lapidado.
Eu carregava ouro.
Mas o ouro não era meu.
Carregava diamantes.
Mas os diamantes não eram meus.
Carregava relógios.
Mas aqueles relógios pertenciam a outras pessoas.
O que era realmente meu era aquilo que estava acontecendo dentro de mim.
Meu caráter.
Minha confiança.
Minha experiência.
Minha visão de mundo.
Minha capacidade de trabalhar.
Minha capacidade de lidar com pessoas.
Minha coragem.
Meus sonhos.
Enquanto eu transportava riquezas de outras pessoas, Deus estava trabalhando na única riqueza que eu levaria para sempre:
eu mesmo.
E foi nesse período que pessoas do passado começaram a reaparecer.
Minha primeira namorada voltou a falar comigo.
Nós conversamos.
Fizemos uma chamada de vídeo.
Chegamos a pensar na possibilidade de voltar.
Eu estava no Rio.
Ela acompanhava aquela nova fase da minha vida.
Eu também percebia que ela havia mudado.
Eu havia mudado.
Mas algumas coisas pertencem ao passado.
Por mais que as pessoas cresçam, amadureçam e se transformem, nem toda história precisa ser reescrita.
Às vezes, algumas páginas precisam permanecer onde estão.
E tudo bem.
Foi uma conversa bonita.
Uma lembrança.
Um reencontro.
Mas não era para ser um retorno.
Enquanto isso, minha confiança com Fábio crescia.
Ele me dava responsabilidades que hoje, olhando para trás, parecem enormes.
Eu era muito jovem.
Mas ele confiava em mim.
Todo sábado, eu pegava aquela mochila.
Pegava dinheiro.
Pegava joias.
Pegava relógios.
E seguia para o Rio.
Voltava.
Entregava tudo.
Nunca perdi uma peça.
Nunca fui roubado.
Nunca deixei de cumprir uma entrega.
Fábio dizia:
— É impecável o seu trabalho. Você é muito jovem. Tenho portadores que já foram roubados e perderam mercadoria, e você nunca perdeu nada.
Eu sentia orgulho.
Era como se estivesse vencendo uma corrida.
Uma corrida pelo ouro.
Mas, no fundo, eu estava vencendo uma corrida contra mim mesmo.
Também descobri outra habilidade naquele período:
cozinhar.
Fábio precisava de alguém para preparar comida e eu me ofereci.
Comecei a cozinhar para todos.
A cada dia, tentava preparar alguma coisa diferente.
Frutos do mar.
Pratos mais elaborados.
Comida bem organizada.
Eu gostava de ver tudo pronto.
Bonito.
Bem apresentado.
Foi uma fase em que consegui experimentar diferentes formas de arte.
Vendas.
Atendimento.
Joalheria.
Negócios.
Culinária.
Relacionamentos.
Viagens.
E tudo isso começou a formar uma pessoa diferente.
Mas confiança também pode ser quebrada em segundos.
Um dia, aconteceu.
Eu peguei dinheiro da gaveta do caixa.
Anotei um vale.
Coloquei o dinheiro no bolso.
Minha intenção era entregar o vale para Vivi, que cuidava da administração.
Mas era hora do almoço.
Eu estava com fome.
Pensei que voltaria rapidamente e resolveria aquilo.
Só que Fábio viu pelas câmeras.
E interpretou aquilo de outra maneira.
Ele achou que eu havia roubado.
Ele ficou extremamente nervoso.
Pegou uma arma e veio na minha direção.
Eu fiquei apavorado.
Naquele momento, achei que poderia morrer.
Ele gritava:
— Você está achando que eu sou quem? Está me roubando na minha cara?
Eu não conseguia entender como aquilo tinha chegado naquele ponto.
Mas então tirei o vale do bolso.
Entreguei.
Expliquei:
— Fábio, eu ia entregar para a Vivi. Eu só fui almoçar e ia resolver isso quando voltasse.
Ele ficou ainda mais nervoso.
Mas entendeu.
Ele havia sido enganado por muitas pessoas.
Já havia perdido dinheiro.
Já havia confiado em gente que o decepcionou.
Talvez aquela desconfiança viesse justamente das coisas que ele já tinha vivido.
Mesmo assim, alguma coisa havia mudado.
A confiança não era mais a mesma.
E ele me mandou embora.
Foi assim.
De repente, aquela fase terminou.
As amizades ficaram para trás.
Vivi.
O ourives.
Fábio.
A loja.
O ouro.
As viagens.
Os sábados no Rio.
Tudo aquilo que parecia fazer parte da minha vida simplesmente virou passado.
E eu percebi novamente uma coisa que a vida já havia me ensinado tantas vezes:
nada é para sempre.
Até mesmo aquilo que parece sólido pode acabar.
Mas o fim de uma história não significa o fim da vida.
Pouco depois, novas histórias começaram.
Eu já havia conhecido Roberta naquela época.
Uma mulher bonita, de cabelos cacheados, que me lembrava a cantora Ludmilla.
Depois que saí da joalheria, minha vida tomou outro rumo.
Cheguei a morar com ela em São Gonçalo.
E, ironicamente, eu havia passado tanto tempo viajando para o Rio de Janeiro admirando aquela cidade de longe.
Depois, fui morar lá.
Mas essa é outra história.
Outra página.
Outro capítulo.
Hoje, quando olho para trás, entendo que aquela corrida nunca foi apenas pelo ouro.
O ouro era o cenário.
Os diamantes eram o brilho.
O Rio de Janeiro era o palco.
A mochila era o peso.
As viagens eram o caminho.
Mas a verdadeira história acontecia dentro de mim.
Eu havia saído de um casamento.
Estava ferido.
Desempregado.
Com a autoestima abalada.
E entrei naquela joalheria.
Ali, aprendi a vender.
Aprendi a trabalhar.
Aprendi sobre negócios.
Aprendi sobre ouro.
Aprendi sobre pessoas.
Aprendi sobre confiança.
Aprendi sobre desconfiança.
Aprendi sobre responsabilidade.
Aprendi sobre perda.
Aprendi sobre recomeço.
E, principalmente, aprendi a olhar para mim novamente.
Eu carregava riquezas que não eram minhas.
Mas carregava também um coração ferido.
E, enquanto cruzava o Rio de Janeiro com uma mochila cheia de joias, eu não percebia que estava levando comigo algo muito mais valioso.
Experiência.
Memória.
Coragem.
Sonhos.
E uma história que um dia seria escrita.
Eu entrei no Real Gabinete Português de Leitura sem imaginar que um dia seria escritor.
Olhei para aquelas prateleiras gigantes sem imaginar que meu próprio livro poderia, um dia, ocupar uma delas.
Talvez aquele tenha sido um daqueles momentos em que a vida coloca uma pequena pista diante de nós.
Na época, eu não entendi.
Hoje, entendo.
Naquele tempo, eu transportava ouro.
Mas Deus estava lapidando um escritor.
Eu carregava diamantes dos outros.
Mas estava descobrindo o meu próprio brilho.
Eu carregava relógios.
Mas começava a compreender o valor do tempo.
Eu carregava histórias de famílias.
Mas ainda não sabia que estava construindo a minha.
E talvez essa seja a verdadeira Corrida Pelo Ouro.
Não correr atrás daquilo que brilha nas mãos dos outros.
Mas descobrir aquilo que existe dentro de nós e que nenhuma quantidade de dinheiro pode comprar.
Porque o ouro pode ser vendido.
As joias podem ser perdidas.
O dinheiro pode acabar.
Uma loja pode fechar.
Uma amizade pode terminar.
Uma história pode chegar ao fim.
Mas aquilo que aprendemos...
fica.
E foi assim que, durante aquela corrida pelo ouro, eu descobri uma riqueza que não estava dentro da mochila.
Estava dentro de mim.
Eu estava sendo lapidado.
E, sem perceber, cada sábado no Rio de Janeiro estava me aproximando do homem que um dia eu me tornaria.
E do escritor que, naquele momento, eu ainda nem sabia que existia.
Thoughts
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PermalinkAquele medo de andar no Rio com mochila de joias é pura realidade. Não é romance. Depois passa, vira só rotina mesmo, mas no começo é paranoia.
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PermalinkNinguém fala de quem arruma o relógio no Rio quando o relojoeiro tá ficando velho. Ele também tá sendo lapidado, pode ser que nem veja.
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PermalinkUma vez carreguei uma moça que ia levar os troços da mãe pra longe. Mochila, bolsa, tudo. Ela falava que era de gente que precisava recomeçar, bem parecido com cê.
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PermalinkEsse rapaz aprende rápido mesmo.
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PermalinkGostei de você ter falado que não deixou de ter valor porque uma relação terminou. É simples de dizer, difícil de acreditar quando tá acontecendo mesmo.
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PermalinkAprender tudo junto ou começar na base faz toda diferença no começo.
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PermalinkEntrar na biblioteca carregando ouro de outro e sair com um sonho seu sem perceber. Tem algo bem irônico nisso, tipo quando a vida quer pregar uma peça e você só ri depois.
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PermalinkAquele "Deus estava lapidando" ficou comigo. A ideia de que ferida também funciona como ferramenta de crescimento, sabe? Tipo, nem sempre saímos inteiros de uma coisa ruim.
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