— Você tem certeza de que quer atravessar esta porta? — perguntou o velho.
— Passei minha vida inteira procurando respostas.
— Então vá... mas lembre-se: nem todo despertar é uma libertação.
Ela atravessou.
Montanhas. Florestas. Templos esquecidos. Criaturas sem rosto. Pessoas que juravam conhecê-la.
Cada lugar parecia mais real que o anterior.
Até que encontrou uma criança.
— Você está perdida? — perguntou ela.
A menina sorriu.
— Não... você está.
— O que quer dizer?
A criança apontou para trás.
Tudo começou a desaparecer.
As árvores.
O céu.
O chão.
As pessoas.
Como se o mundo inteiro fosse feito de fumaça.
— Não... isso não pode ser verdade...
— Você nunca saiu.
Ela abriu os olhos.
Estava sentada exatamente no mesmo banco onde havia fechado os olhos pela primeira vez.
O velho continuava à sua frente, como se nenhum segundo tivesse passado.
— Então... foi tudo um sonho?
Ele sorriu lentamente.
— Essa é a pergunta que todos fazem...
Fez uma pausa.
— Mas ninguém consegue provar que acordou.