"os culpados tambĂ©m", que ataque direto đ vocĂȘ escreveu isso com alguĂ©m especĂfico em mente ou Ă© geral mesmo?
O Espectador
Existe uma antiga crença que quase ninguém conhece.
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Pensamento
"os culpados tambĂ©m", que ataque direto đ vocĂȘ escreveu isso com alguĂ©m especĂfico em mente ou Ă© geral mesmo?
ConteĂșdo da publicação
Existe uma antiga crença que quase ninguém conhece.
Ela diz que algumas histĂłrias nĂŁo sĂŁo escritas.
Elas esperam.
Esperam até encontrar a pessoa certa.
Se esta histĂłria nĂŁo for para vocĂȘ...
Pode parar de ler agora.
NĂŁo vai acontecer absolutamente nada.
...
VocĂȘ ainda estĂĄ aqui.
Interessante.
A maioria vai embora antes desta linha.
Os curiosos continuam.
Os culpados também.
Ainda nĂŁo sei em qual dos dois grupos vocĂȘ estĂĄ.
Mas vou descobrir.
Hå muitos anos, existia um teatro onde nenhuma peça era apresentada.
Mesmo assim, todas as noites era possĂvel ouvir aplausos.
Risos.
Choros.
Como se alguĂ©m estivesse assistindo a um espetĂĄculo invisĂvel.
Diziam que, se uma pessoa entrasse naquele teatro sozinha, nunca mais sairia da mesma forma.
Uma garota decidiu descobrir se aquilo era verdade.
Ă meia-noite, atravessou as portas antigas.
O palco estava vazio.
As cadeiras também.
EntĂŁo as luzes se apagaram.
Uma voz ecoou por todo o teatro.
â Bem-vinda, Ășltimo espectador.
Ela olhou para os lados.
Não havia ninguém.
Tentou responder.
Sua voz nĂŁo saiu.
As cortinas se abriram lentamente.
E, pela primeira vez, o palco mostrou alguma coisa.
NĂŁo eram monstros.
Nem fantasmas.
Eram pessoas comuns.
Gente que viu alguém sofrer...
...e escolheu nĂŁo fazer nada.
Pessoas que riram de alguém para acompanhar a maioria.
Pessoas que acreditaram em mentiras porque era mais fĂĄcil do que descobrir a verdade.
Cada cena terminava da mesma forma.
Com alguém apenas olhando.
Assistindo.
Sem mover um dedo.
A garota fechou os olhos.
â Eu nunca estive aqui...
A voz respondeu:
â Tem certeza?
Nesse momento...
pare de ler por um instante.
Pense.
Quantas vezes vocĂȘ viu algo errado...
...e decidiu continuar a sua vida?
Quantas vezes julgou alguém antes de conhecer sua história?
Quantas vezes ficou em silĂȘncio quando poderia ter falado?
...
VocĂȘ voltou.
Eu sabia.
Todos voltam.
A garota abriu os olhos novamente.
No centro do palco havia apenas uma cadeira.
Vazia.
Ela caminhou lentamente até ela.
Esperava encontrar o prĂłprio nome.
Mas nĂŁo havia nome algum.
A cadeira era para quem chegasse até o fim desta história.
Foi entĂŁo que ela sorriu.
Porque finalmente entendeu.
Ela nunca foi a protagonista.
Era apenas o caminho.
A verdadeira histĂłria sempre foi sobre quem estava do outro lado.
VocĂȘ.
Curioso...
VocĂȘ continua descendo a tela.
Achei que iria embora depois das Ășltimas linhas.
A maioria vai.
Mas algumas pessoas continuam.
Porque querem respostas.
Ou porque tĂȘm medo de parar agora.
Ainda nĂŁo sei qual Ă© o seu caso.
Mas descobrirei.
Afinal...
desde a primeira linha eu nĂŁo estava contando uma histĂłria.
Eu estava observando vocĂȘ.
E o mais curioso...
Ă© que vocĂȘ nunca percebeu quando deixou de ser leitor...
...e passou a fazer parte dela.
Thoughts
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Permalinkcontei histĂłrias parecidas de outras formas e nunca tinha visto alguĂ©m usar um teatro invisĂvel. essa imagem nĂŁo sai da minha cabeça
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Permalinkquando vocĂȘ escreveu "era apenas o caminho", quanto tempo levou pra chegar nessa frase? parece que vocĂȘ demorou tempo pensando no final
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Permalinkleio bastante coisa escura e isso aqui Ă© diferente. menos a histĂłria do que a forma que vocĂȘ coloca a gente no lugar da garota. incĂŽmodo.
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Permalink"os culpados tambĂ©m", que ataque direto đ vocĂȘ escreveu isso com alguĂ©m especĂfico em mente ou Ă© geral mesmo?
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PermalinkTexto incrĂvel!
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Permalinkisso Ă© real ou vocĂȘ fez tudo como metĂĄfora? porque se for real mesmo eu queria saber mais
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Permalinka histĂłria do teatro invisĂvel Ă© criativa. mas aquela pergunta sobre quantas vezes vocĂȘ ficou em silĂȘncio... aĂ vocĂȘ me pegou desprevenido
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Permalinko jeito que vocĂȘ escreve me dĂĄ um frio, tipo aquele incĂŽmodo bom đ e eu jĂĄ tĂŽ voltando no meio pra reler
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PermalinkVocĂȘ estava processando algo real quando escreveu isso, ou era puro imaginĂĄrio? Que situação te motivou?
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