Fiquei pensando nesse seu jeito de escrever duas vezes: primeiro tudo na emoção, depois ler com a razão e escrever o que entendeu. O que me pegou foi que cê desmontou a imagem que tinha construído da sua mãe, não ela, e foi isso que abriu espaço pra amar a pessoa de verdade. A frase da carta, "você pode não ter me visto crescer, mas me deu a vida", ficou comigo depois que fechei a página. Cê guarda as duas versões de cada texto, a da emoção e a da razão?
o encontro da paz após a desconstrução do passado
Pensamento
Fiquei pensando nesse seu jeito de escrever duas vezes: primeiro tudo na emoção, depois ler com a razão e escrever o que entendeu. O que me pegou foi que cê desmontou a imagem que tinha construído da sua mãe, não ela, e foi isso que abriu espaço pra amar…
Conteúdo da publicação
Oi Hoje não quero escrever algo formal ou qualquer coisa do tipo. Vai ser mais como uma conversa.
Prazer, meu nome é Yasser. Durante a minha curta vida, passei por diversas situações que me causaram uma depressão muito forte e um vazio extremo o tempo todo. Pra ser sincero, isso durou tanto tempo que até me esqueci de como era não me sentir assim. Meus dias eram um borrão de vazio, solidão, culpa, medo e pensamentos suicidas.
Mas algo que percebi recentemente em relação aos pensamentos suicidas é que eu nunca desejei estar morto de verdade, e sim apenas estar vivo sem a culpa e todos os sentimentos ruins.
Foram anos de autossabotagem, me isolando, sentindo que não tinha propósito, apenas vagando e buscando sentido em algo que não fosse apenas dor e sofrimento. Os dias eram como acordar com centenas de feridas de faca pelo corpo, uma dor que, em alguns momentos, chegava a ser física.
Por anos foi assim, até que, sinceramente, não sei exatamente o que aconteceu. Acho que foi escrevendo e lendo, embora eu realmente não saiba. Simplesmente surgiu na minha mente uma epifania.
Comecei a escrever e pensar sobre a minha mãe, sobre como eu imaginava que ela seria e sobre a forma como a construí na minha mente, algo totalmente baseado na emoção. (Pra quem não sabe, ela infelizmente se suicidou quando eu tinha um ano.)
E, após escrever sobre ela, desconstruí a imagem que tinha dela. Não ela em si, mas a imagem que construí, de uma forma que me permitisse amá-la e tentar enxergá-la de maneira mais real, me deixando pronto para seguir em frente.
Após escrever sobre isso, pude notar um alívio ao longo dos dias. Assim, fui desconstruindo aos poucos diversas situações do meu passado que me atormentavam.
Por exemplo, ainda em relação à minha mãe, após tornar a imagem dela mais real, pude começar a desconstruir a ideia do suicídio dela, a ponto de entender que foi uma atitude desesperada de uma pessoa que não via outra saída.
E agora, olhando para tudo isso, se eu pudesse olhar para ela ou escrever uma carta, apenas diria: "Tudo bem, você não teve culpa. Você pode não ter me visto crescer, mas me deu a vida e, independentemente de qualquer situação que a levou a cometer tal ato, eu a perdoo."
Depois de desconstruir o ato do suicídio, pude partir para outras coisas, sempre seguindo a mesma estrutura: algo escrito totalmente na emoção, falando tudo o que sentia, para depois ler com a razão e escrever, pela razão, o que compreendi.
Após entender isso, pude seguir em frente. Comecei a desconstruir diversas outras questões, como o meu relacionamento com a minha ex. Tive que entender que não fui a melhor das pessoas durante o relacionamento e precisei me perdoar. Não tenho contato com ela e, se tivesse, pediria desculpas, mas, como não posso, apenas me perdoei e a perdoei.
E, pra mim, a parte mais difícil foi desconstruir a imagem do meu pai, uma pessoa pela qual guardei muito rancor durante a minha vida.
Mas, após desconstruir toda a imagem que ele transmite e entender que ele é apenas uma pessoa triste, que perdeu demais e que agora mente para si mesmo, falando que é feliz e saindo com diversas mulheres apenas para tentar suprir o vazio dentro dele, pude notar que somos parecidos.
Eu apenas decidi enfrentar cada um dos meus demônios um por um. Ele apenas se esconde deles e finge que está tudo bem.
Estou trabalhando em uma carta para ele, e vai ser decisão dele querer enfrentá-los ou continuar assim.
Mas agora, após passar por tudo isso e fazer o mesmo processo com outras coisas que, no momento, não me sinto confortável em compartilhar aqui, pude notar como passei a enxergar o mundo de outra forma.
E existe uma coisa que, para o meu antigo eu, que sempre buscou entender o sentido da vida em meio à dor, é até engraçada.
Lembrando que aqui está apenas a minha visão, sem estudos ou qualquer outra coisa, o que entendi é que a mente humana sempre busca um sentido para qualquer coisa, mesmo que não tenha.
Qual é o sentido da vida? Eu me perguntava isso, e a conclusão a que cheguei foi que ela não tem. Nunca teve.
É isso. Pode parecer idiota, mas eu lhe pergunto: qual é o sentido de um cachorro buscar um graveto ou uma bola sem hesitar? Por que ele não para para pensar se vale a pena ir buscar o graveto? Ele simplesmente vai porque é divertido para ele.
Da mesma forma, a única resposta para o sentido da vida é viver.
Uma resposta idiota? Talvez. Mas pense: qual foi a última vez que você viveu de verdade?
Quero que você entenda que essa é a nossa única vida. E quero que entenda que não precisamos buscar em terceiros tudo aquilo que temos dentro de nós.
Viver tem um sentido diferente para cada um de nós, mas eu sei que encontrei o meu. Encontrei a minha paz, e espero que você consiga encontrar a sua também.
Rapaziada, não sei o que escrevi aqui, não KSKSKSKSKSKSKSKSKSKSKSKSKSK. As peças só foram se juntando na minha cabeça e surgiu isso.
Realmente não sei se esse texto ficou bom.
Perdão se me prendi muito em algumas partes ou me repeti. Provavelmente, teve partes que desenvolvi muito mal, mas não foi por mal, só foi a maneira como eu estava pensando. Vocês literalmente viram meus pensamentos. Bizarro isso aí
Mas obrigado por ler, e espero que isso te ajude.
Do seu amigo, Yasser.
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Fixado por quem publicou
Permalinkjá se sentiu assim? -
PermalinkFiquei pensando nesse seu jeito de escrever duas vezes: primeiro tudo na emoção, depois ler com a razão e escrever o que entendeu. O que me pegou foi que cê desmontou a imagem que tinha construído da sua mãe, não ela, e foi isso que abriu espaço pra amar a pessoa de verdade. A frase da carta, "você pode não ter me visto crescer, mas me deu a vida", ficou comigo depois que fechei a página. Cê guarda as duas versões de cada texto, a da emoção e a da razão?
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Permalinkachei engraçado -
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