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O dia que a morte resolve bater na minha porta

lima
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A autossabotagem é tão estranha que eu

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Conteúdo da publicação

A autossabotagem é tão estranha que eu

nem consigo explicar como ela funciona.

Ela chega devagar, quase sem fazer barulho,

e quando eu percebo, já estou pensando

coisas que eu nem queria pensar.

Ela fala que eu não sou suficiente,

que eu só atrapalho,

que talvez fosse melhor desistir,

e eu, cansada de lutar comigo mesma,

às vezes quase acredito.

Até que um dia

a morte resolve bater na minha porta.

E ela começa a conversar comigo,

mas é estranho, porque

parece que ela está falando

tudo aquilo que eu falaria para mim mesma.

Ela fala dos meus medos,

das coisas que eu penso quando estou sozinha,

das vezes que eu quis sumir

e de todas as vezes que pensei

que seria melhor não estar aqui.

E eu fico em silêncio.

Porque, no fundo,

eu sei que aquelas palavras

não vieram realmente dela.

Vieram de mim.

Talvez seja por isso que

a autossabotagem seja tão difícil de explicar.

Porque às vezes a gente passa tanto tempo

ouvindo a própria cabeça dizer

que não é suficiente,

que começa a acreditar que essa é a verdade.

E naquele dia,

quando a morte bateu na minha porta,

eu não sabia o que dizer.

Só fiquei ali,

olhando para ela,

pensando em tudo que ainda existe

mesmo quando eu não consigo enxergar.

Então eu não abri a porta.

Não porque tudo ficou bem,

mas porque talvez,

bem lá no fundo,

ainda exista uma parte de mim

que quer descobrir

o que acontece depois de hoje.

Thoughts

  • leituraDaNoite

    A parte que ficou comigo foi a morte batendo na porta e falando com a sua voz, dizendo o que você já diz pra si mesma. Você escreve que a autossabotagem é difícil de explicar, e foi lendo essa cena que eu entendi por quê. Li depois do serviço e fiquei com a porta fechada na cabeça, você parada do lado de cá. Isso costuma sair por escrito pra você, ou essa foi a primeira vez?

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