Comecei a nutrir amor por mim
no instante em que parei de derramar
toda a minha paixão em outra direção.
Por muito tempo, meu coração procurou morada
em um lugar onde eu queria ser vista,
acolhida, escolhida.
Mas um dia percebi:
eu também era alguém esperando por amor.
Então recolhi minhas próprias partes,
as que eu havia deixado pelo caminho,
e comecei a cuidar da menina que existia em mim.
Não era falta de amor,
era amor demais sendo entregue
a quem eu esquecia de oferecer a mim mesma.
E quando deixei de procurar no outro
a confirmação de que eu existia,
eu finalmente comecei a nascer.
Meu amor não diminuiu,
apenas encontrou o lugar certo para florescer:
dentro de mim.
Comecei a nutrir um sentimento de amor-próprio a partir do momento em que deixei de direcionar essa paixão para minha mãe.