Havia dias em que o céu parecia não ter fim.
Azul, inteiro, quase impossível de alcançar. E, logo abaixo dele, o oceano seguia seu movimento, como quem conhecia segredos que ninguém jamais conseguiria arrancar.
Ela gostava de observar os dois.
Talvez porque, de algum modo, se reconhecesse naquela imensidão.
O céu carregava seus sonhos. O oceano, suas profundezas.
E entre os dois existia uma linha distante, quase invisível, onde parecia que tudo se encontrava. Ela sabia que era apenas uma ilusão. Céu e mar nunca se tocavam de verdade.
Ainda assim, de longe, pareciam pertencer um ao outro.
Ela sorriu ao perceber que algumas coisas na vida eram exatamente assim.
Existem pessoas que chegam como o céu em manhã ensolarada. Trazem leveza, despertam vontades, fazem a gente acreditar que talvez seja possível permanecer.
Outras são oceano.
Profundas, inquietas, impossíveis de decifrar completamente.
E há aquelas que são as duas coisas ao mesmo tempo.
Ela fechou os olhos quando uma onda tocou seus pés
Naquele instante, não precisava entender tudo.
Nem saber para onde a vida a levaria.
Bastava respirar.
O céu continuava azul.
O oceano continuava imenso.
E ela, pela primeira vez em muito tempo, não sentia necessidade de escolher entre ser céu ou ser mar.
Descobriu que podia ser horizonte.
Aquele lugar onde tudo parecia impossível de separar.
Onde o azul encontrava o azul.
Onde os sonhos encontravam a coragem.
E onde, mesmo sem saber o que viria depois, ela finalmente entendia:
algumas paisagens não existem para serem alcançadas.
Existem apenas para nos lembrar de quem somos.