Aquela imagem final de Apolo coroado de louros, tentando tocar a Aurora e nunca conseguindo, isso me fez pensar em gente que passa a vida inteira tentando. E fica só coroada mesmo.
O CANTAR DE APOLO
O CANTAR DE APOLO — "Canto d’Amor, Erato, a sua desventura. Eu que lhe ria do uso dado a suas setas, Fui ferido d'amor, tal-qual vossos poetas. Encantado por Dafne, ninfa bela e pura..." "Vendo-a,…
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Aquela imagem final de Apolo coroado de louros, tentando tocar a Aurora e nunca conseguindo, isso me fez pensar em gente que passa a vida inteira tentando. E fica só coroada mesmo.
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O CANTAR DE APOLO
— "Canto d’Amor, Erato, a sua desventura.
Eu que lhe ria do uso dado a suas setas,
Fui ferido d'amor, tal-qual vossos poetas.
Encantado por Dafne, ninfa bela e pura..."
"Vendo-a, logo me atrai tamanha formosura.
Eu me apresento à lira... Canto obras diletas.
Mas, Amor quis vingança e desgraça completas:
Pondo-a avessa a mim, foge na mata escura..."
"... E não alcanço a ninfa a correr trilha afora:
Em pânico, mudou-se em árvore de louro
Junto ao rio Pereu, conjurado àquela hora"
"De louros coroado, olho o dia vindouro:
Desde o primeiro Sol, tento tocar a Aurora,
Sem lhe alcançar, porém, o belo coche d’ouro..."
* * *
Thoughts
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PermalinkMársias perdeu a pele, Dafne virou árvore. Apolo sempre ganha e nunca tem nada no final.
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PermalinkMársias perdeu, Apolo fica perseguindo, a flauta nunca ganha nesta série. É sempre o mesmo desfecho.
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PermalinkApolo coroado de louros mas sem alcançar nada, desde o começo da série até agora. Isso é o que me prende.
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PermalinkAquela imagem final de Apolo coroado de louros, tentando tocar a Aurora e nunca conseguindo, isso me fez pensar em gente que passa a vida inteira tentando. E fica só coroada mesmo.
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PermalinkAquela parte do «De louros coroado, olho o dia vindouro» é exatamente como a gente fica depois de perder alguém. Coroado de coisa que não pede mais nada.
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