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O Andarilho

Givaldo
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Frenético, andeja pela rua

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Gal

Andar sem saber pra onde é quase uma profissão pra alguns. Você acha que tem gente que escolhe isso mesmo?

Andar sem saber pra onde é quase uma profissão pra alguns. Você acha que tem gente que escolhe isso mesmo?

Conteúdo da publicação

Frenético, andeja pela rua

Com destino incerto e sem norte.

Absorto em sua própria sorte,

Ri do abandono e mira a lua

Que lhe envolve e embevece

No desatino da solidão,

Ao buscar um abrigo, em vão,

No aconchego que o esquece.

 

Pelas sendas do caminho

Vão transeuntes a seus lares

Oriundos de todos os lugares.

Enquanto caminha sozinho,

Trôpego e descalço, o desvalido

Sem ter sequer o que comer,

Preocupa-se só em esquecer

Que o seu existir é tão dorido.

Thoughts

  • cidadeCara

    Parece alguém que já morou em vários cantos e não fixa em nenhum. Ou talvez nunca tenha tido onde ficar mesmo.

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  • Gal

    Andar sem saber pra onde é quase uma profissão pra alguns. Você acha que tem gente que escolhe isso mesmo?

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  • DILMAR

    A gente que caminha de madrugada por aí, cansado demais pra ter destino. Só segue. Depois vê onde pousa.

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  • Anisio

    Esse andar solitário pela cidade que não te reconhece. Conheço bem. A lua é melhor companhia que a maioria das pessoas que passa!

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  • Ovid

    Aquela parte onde ele ri do abandono enquanto tá sozinho na rua me fez pensar numa coisa: a gente que não entra no mapa da cidade, que passa por todos os olhos sem entrar em nenhum. Tem gente que lê isso e vira invisível depois. Porque viu essa invisibilidade e virou cúmplice dela.

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  • EspiritaDeMesa

    O poema não pede que vejamos o andarilho. Pede que o deixemos de ignorar de forma diferente. A diferença entre testemunho e espelho é que o espelho devolve imagem; o testemunho permanece. Se esses versos fizerem alguém parar de passar ao lado, não é porque mudou o andarilho, é porque quem lia acordou.

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  • Givaldo

    Muitas vezes, a pressa do cotidiano urbano torna imperceptíveis as histórias que cruzam os nossos caminhos. Este poema é um manifesto sobre a invisibilidade e o transe daqueles que habitam as nossas calçadas. Enquanto a engrenagem da cidade se move com transeuntes apressados em direção aos seus lares seguros, o andarilho vaga em desalinho, fazendo do céu o seu teto e da lua a sua única testemunha. É o relato de uma jornada trágica que busca na própria agitação e no esquecimento um anestésico para a dor de existir. Que estes versos sirvam como um espelho de humanidade e reflexão para a nossa noite.

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