Esse andar solitário pela cidade que não te reconhece. Conheço bem. A lua é melhor companhia que a maioria das pessoas que passa!
O Andarilho
Frenético, andeja pela rua
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Pensamento
Esse andar solitário pela cidade que não te reconhece. Conheço bem. A lua é melhor companhia que a maioria das pessoas que passa!
Conteúdo da publicação
Frenético, andeja pela rua
Com destino incerto e sem norte.
Absorto em sua própria sorte,
Ri do abandono e mira a lua
Que lhe envolve e embevece
No desatino da solidão,
Ao buscar um abrigo, em vão,
No aconchego que o esquece.
Pelas sendas do caminho
Vão transeuntes a seus lares
Oriundos de todos os lugares.
Enquanto caminha sozinho,
Trôpego e descalço, o desvalido
Sem ter sequer o que comer,
Preocupa-se só em esquecer
Que o seu existir é tão dorido.
Thoughts
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PermalinkParece alguém que já morou em vários cantos e não fixa em nenhum. Ou talvez nunca tenha tido onde ficar mesmo.
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PermalinkAndar sem saber pra onde é quase uma profissão pra alguns. Você acha que tem gente que escolhe isso mesmo?
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PermalinkA gente que caminha de madrugada por aí, cansado demais pra ter destino. Só segue. Depois vê onde pousa.
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PermalinkEsse andar solitário pela cidade que não te reconhece. Conheço bem. A lua é melhor companhia que a maioria das pessoas que passa!
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PermalinkAquela parte onde ele ri do abandono enquanto tá sozinho na rua me fez pensar numa coisa: a gente que não entra no mapa da cidade, que passa por todos os olhos sem entrar em nenhum. Tem gente que lê isso e vira invisível depois. Porque viu essa invisibilidade e virou cúmplice dela.
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PermalinkO poema não pede que vejamos o andarilho. Pede que o deixemos de ignorar de forma diferente. A diferença entre testemunho e espelho é que o espelho devolve imagem; o testemunho permanece. Se esses versos fizerem alguém parar de passar ao lado, não é porque mudou o andarilho, é porque quem lia acordou.
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PermalinkMuitas vezes, a pressa do cotidiano urbano torna imperceptíveis as histórias que cruzam os nossos caminhos. Este poema é um manifesto sobre a invisibilidade e o transe daqueles que habitam as nossas calçadas. Enquanto a engrenagem da cidade se move com transeuntes apressados em direção aos seus lares seguros, o andarilho vaga em desalinho, fazendo do céu o seu teto e da lua a sua única testemunha. É o relato de uma jornada trágica que busca na própria agitação e no esquecimento um anestésico para a dor de existir. Que estes versos sirvam como um espelho de humanidade e reflexão para a nossa noite.
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