— O amor é eterno — diz ele —
é chama que desafia o tempo,
como versos que sobrevivem à morte.
Amar é destino, é juramento,
é dar o peito ao punhal
e ainda assim chamar de milagre.
— Ingênuo — responde o outro —
o amor é contrato invisível,
aliança firmada enquanto convém.
Os homens mudam como os ventos,
e quem governa o próprio coração
precisa desconfiar do que sente.
— Mas o que seria da vida sem entrega?
Sem a vertigem doce de se perder?
Prefiro a tragédia de amar demais
à paz calculada de nunca me render.
— E eu prefiro a lucidez —
retruca o cético —
porque quem ama sem estratégia
cede poder,
e todo poder cedido
vira domínio nas mãos erradas.
— Então que me dominem os teus olhos,
se isso for fraqueza.
Há vitórias que são pequenas
diante da grandeza de um abraço.
— E há derrotas — sussurra o outro —
que começam exatamente assim.
Silêncio.
E no meio do silêncio,
os dois corações batem.
Um por fé.
Outro por prudência.
Mas ambos,
inegavelmente,
batem.
(Lediuson oliveira)