Vagantes condenados: Canis Lupus
Caminhando próximo a uma igreja, um grupo de religiosos conversava animadamente, até que subitamente ouviu sons estranhos e o barulho de garras rasgando o chão.
“Kiekk… Waaaaaaah!”
Das sombras, um cão negro surgiu diante deles. De grande porte, o cão negro revelava ser duas vezes maior do que um lobo, com membros longos e uma barriga em tom de roxo-escuro. Suas garras, em contraste, eram de um vermelho vivo, como se fossem feitas de fogo. Ao observá-lo mais de perto, era possível ver que essa coloração se estendia da barriga ao pescoço.
O medo era visível no olhar de todos os religiosos. O cão negro os rodeava, seus olhos brilhando com uma intensidade que parecia perfurar a alma.
Ele ergueu seu pescoço longo enquanto sua cauda se movia cortando o ar, envolta em uma fumaça roxa e azulada, como se fosse uma extensão de seu próprio ser.
Nenhuma palavra foi dita diante daquela criatura; rosnando de maneira amedrontadora, o cão formava ondas de choque na atmosfera.
O cão negro deixou os religiosos tomados pelo medo, porém, logo atrás deles, seus companheiros corriam desesperadamente tentando escapar. Com o instinto predador atiçado, o cão disparou em direção às presas em fuga, ignorando as que estavam paralisadas.
E, ao longe, aqueles que continuavam atônitos pelo que presenciaram puderam ouvir os gritos agonizantes de dor dos que foram alcançados e subjugados pela besta. Seus gritos de desespero ecoavam por todos os lados até se extinguirem por completo.
Quando o cão finalmente retornou, carregando os corpos inertes dos companheiros, os poucos sobreviventes observavam a cena de pele pálida e respiração ofegante. O coração de todos batia acelerado pelo medo, quase explodindo, desabando ao chão diante da longa noite que se seguiu.