O que escolhemos
Anos atrás, quando éramos adolescentes, eu acreditava que a parte mais difícil de uma história de amor era conseguir ficar com a pessoa amada.
Hoje eu sabia que não.
A parte mais difícil era continuar escolhendo um ao outro depois que a fantasia terminava.
Depois que apareciam contas.
Cansaço.
Responsabilidades.
Filhos.
Trabalho.
Distância.
Medos.
Dias ruins.
Conversas difíceis.
Depois que descobríamos que amar alguém não significava concordar com tudo.
Nossa história tinha começado com uma pergunta.
E se?
E durante quinze anos aquela pergunta tinha vivido dentro de mim.
E se eu tivesse escolhido diferente?
E se ele tivesse falado?
E se tivéssemos tentado?
E se a vida tivesse nos colocado no mesmo caminho?
Quando finalmente nos reencontramos, achei que a resposta seria encontrar o que perdemos.
Mas não foi.
A resposta foi descobrir que não tínhamos voltado para recuperar o passado.
Tínhamos voltado para construir alguma coisa que nunca existiu.
Uma relação entre duas pessoas que haviam mudado.
Eu já não era a menina de dezessete anos.
Ele já não era o garoto que eu havia amado naquela época.
Nós tínhamos vivido outras coisas.
Tínhamos errado.
Perdido.
Aprendido.
Construído.
E chegamos um ao outro carregando vidas inteiras.
Talvez fosse por isso que agora tudo tivesse mais peso.
Porque escolher era diferente quando não havia mais idealização.
Eu conhecia os defeitos dele.
Ele conhecia os meus.
Eu conhecia seus medos.
Ele conhecia os meus.
Eu sabia que haveria dias em que ele não teria respostas.
Ele sabia que haveria dias em que eu precisaria de mais tempo para organizar o que sentia.
E ainda assim...
Nós continuávamos.
Não porque tivéssemos certeza de que nunca sofreríamos.
Mas porque aprendemos a conversar antes que a dor virasse distância.
Aprendemos a dizer:
"Estou com medo."
"Estou cansado."
"Preciso de você."
"Preciso de espaço."
"Isso me machucou."
"Não entendi."
"Vamos conversar."
Talvez essas fossem as palavras que faltaram quando éramos jovens.
Não as grandes declarações.
As pequenas.
As honestas.
As que salvam uma relação quando o orgulho quer destruí-la.
Eu olhei para ele naquela noite.
— Se pudesse voltar aos dezessete anos, você faria alguma coisa diferente?
Ele pensou.
— Talvez.
— O quê?
Ele sorriu.
— Falaria mais.
Eu ri.
— Eu também.
— E você?
Pensei por alguns segundos.
— Eu teria menos medo.
Ele segurou minha mão.
— Mas se você tivesse sido diferente naquela época...
— Talvez eu não fosse a mulher que está aqui agora.
Ele assentiu.
Era verdade.
Nós não poderíamos mudar os quinze anos que passaram.
Nem deveríamos.
Porque foram justamente eles que nos transformaram nas pessoas capazes de viver o que estávamos vivendo.
Olhei para nossas mãos unidas.
E pensei que talvez aquela fosse a verdadeira resposta para todos os "e se?" que carregamos durante tanto tempo.
Não precisávamos mais saber como teria sido.
Sabíamos como era.
Era imperfeito.
Era bonito.
Às vezes difícil.
Às vezes leve.
Era feito de trabalho, sonhos, responsabilidades, saudade, risadas, conversas e escolhas.
Era feito de duas pessoas tentando construir espaço uma para a outra sem deixar de existir individualmente.
E, pela primeira vez, eu não queria saber como aquela história terminaria.
Queria apenas continuar escrevendo.
Porque depois de quinze anos perguntando o que poderia ter acontecido...
finalmente tínhamos descoberto uma pergunta muito mais importante:
não "o que teria sido de nós?", mas "o que vamos escolher ser daqui para frente?"