Capítulo 5
Depois da despedida no shopping, voltei para casa com a cabeça cheia.
Aquele dia tinha sido diferente.
Tinha acontecido tanta coisa.
As conversas, os risos, o abraço, o primeiro beijo...
E então, quando cheguei em casa, meu celular recebeu uma mensagem.
Era Ismael.
"Oi, boa noite. Como você está? Nesse tempo não sei se você sentiu alguma coisa por mim, porque eu senti algo muito bom por você e, junto com você no shopping, fez esse sentimento aumentar. Queria saber se você sente alguma coisa por mim e se você aceita namorar comigo?"
Eu li.
E respondi:
"Boa noite, estou bem, e você? Eu também gosto de você. Em relação a namorar... vou ver com meus pais."
Ele respondeu:
"Tá certo!"
Então fui conversar com meus pais.
Mas eles não permitiram.
E, naquele momento, alguma coisa aconteceu dentro de mim.
Uma mistura de sentimentos, medo e confusão tomou conta da minha cabeça.
E eu fiz algo completamente inesperado.
Bloqueei Ismael.
No WhatsApp.
No Instagram.
Em tudo.
E desapareci.
Não por alguns dias.
Não por algumas semanas.
Por dois anos.
Enquanto eu tentava seguir minha vida, Ismael tentava entender o que havia acontecido.
Ele mandou mensagens.
Tentou falar comigo pelo Instagram.
E, sem conseguir chegar até mim, procurou uma das minhas amigas, Anny.
"Anny?"
"Oii."
"Você sabe o que aconteceu com Jheniffer? Mandei mensagem para ela e não chega nela."
Anny veio me contar que ele estava me procurando.
Eu apenas disse:
"Fala para ele que você não sabe sobre mim."
Então ela respondeu a ele:
"Eu não sei dela não, Ismael."
"Tá certo."
E ficou por isso mesmo.
Depois daquele momento, nossos caminhos não se cruzaram mais.
Até que, meses depois, aconteceu outro encontro.
Um congresso de adolescentes da igreja.
Ismael estava cantando naquele dia.
Eu estava com Anny e tinha saído para comprar alguma coisa para comer.
Enquanto eu estava de costas, pagando o lanche, Anny me cutucou.
"Jheny, olha onde Ismael está."
Eu virei.
E lá estava ele, do outro lado da rua.
Meu primeiro instinto foi tentar me esconder.
Mas Anny, obviamente, decidiu que esconder não era uma opção. 😂
Ela gritou:
"ISMAEL, AMIGO, AQUIII!"
Ele virou.
E veio em nossa direção.
Quando chegou perto, sorriu.
Apertou a mão de Anny, depois olhou para mim.
"Oi, Jheniffer. Paz do Senhor."
Eu estava com a cabeça baixa.
Apertei a mão dele e respondi:
"Amém!"
E soltei a mão rapidamente.
Enquanto Anny conversava com ele, eu fiquei atrás dela, praticamente usando minha amiga como esconderijo.
Depois de alguns minutos, Ismael disse:
"Anny, vou ali falar com os meninos. Foi bom ver vocês. Tchau."
"Tá certo, tchau."
Eu permaneci em silêncio.
Ele foi embora.
E, mais uma vez, nossos caminhos se separaram.
Só que, dessa vez, ninguém sabia que ainda demoraria muito para eles se cruzarem novamente.
Passaram-se dois anos.