A minha relação mais longa durou três meses e nessa altura já não tinha conversa nenhuma parecida com essa. Capítulo 15 e eles ainda estão combinando como continuar.
O Agora - Capitulo 15 Eu não queria que ela diminuisse o próprio mundo
Eu não queria que ela diminuísse o próprio mundo
In groups
Pensamento
A minha relação mais longa durou três meses e nessa altura já não tinha conversa nenhuma parecida com essa. Capítulo 15 e eles ainda estão combinando como continuar.
Conteúdo da publicação
Eu não queria que ela diminuísse o próprio mundo
Quando ela me contou sobre o negócio, meu primeiro sentimento foi orgulho.
O segundo foi medo.
Eu não disse o segundo.
Pelo menos não imediatamente.
Ela falava daquele projeto com um brilho que eu reconhecia.
Era o mesmo brilho que eu tinha quando falava da minha nova oportunidade.
E naquele instante compreendi uma coisa.
Eu não poderia pedir que ela fosse corajosa para mim e covarde por nós.
Ela tinha um sonho.
Um sonho que existia antes de mim.
E eu precisava respeitá-lo.
— Você já decidiu? — perguntei.
— Ainda não.
— Por quê?
Ela me olhou.
— Porque existe você.
Aquilo me atingiu.
Não como uma cobrança.
Como responsabilidade.
Eu poderia dizer que seria difícil.
Poderia pedir que ela esperasse.
Poderia dizer que não queria distância.
Poderia fazer tudo isso.
Mas não queria ser aquele homem.
Não depois de tudo o que havíamos aprendido.
— Eu quero você perto — falei.
Ela abaixou os olhos.
— Eu também quero.
— Mas não quero que estar comigo custe o seu sonho.
Ela ficou quieta.
— E se eu for? — perguntou.
— Então vamos descobrir como continuar juntos.
— Mesmo com a distância?
— Mesmo com a distância.
— Você fala como se fosse fácil.
— Não vai ser.
Ela sorriu.
— Pelo menos você é sincero.
— Estou tentando.
Ficamos alguns minutos imaginando como seria.
Ela viajando.
Eu trabalhando.
Os dias em que não conseguiríamos nos encontrar.
As noites em que a saudade apareceria.
Os finais de semana.
As responsabilidades com minha filha.
Os momentos em que cada um precisaria lidar com seus próprios problemas.
E, pela primeira vez, eu percebi que relacionamento não era fazer duas vidas caberem perfeitamente uma dentro da outra.
Era criar espaço para as duas existirem.
— Você sabe do que eu tenho medo? — perguntei.
— Do quê?
— De que você vá para outra cidade, comece uma vida nova e perceba que não precisa mais de mim.
Ela sorriu.
— Você ainda está com esse medo?
— Às vezes.
— Então vou te contar uma coisa.
— O quê?
— Eu não quero precisar de você.
Aquilo doeu por um segundo.
Até ela completar:
— Eu quero escolher você.
Olhei para ela.
Talvez fosse a frase mais bonita que alguém pudesse me dizer.
Porque necessidade pode nascer do medo.
Escolha nasce da liberdade.
E eu queria ser escolhido por ela todos os dias.
Não porque ela não tivesse outro caminho.
Mas porque, tendo caminhos, ainda quisesse caminhar ao meu lado.
— Então vá — falei.
Ela me olhou surpresa.
— Você está mesmo dizendo isso?
— Estou.
— Mesmo querendo que eu fique?
— Principalmente por querer que você fique.
Ela sorriu.
E eu entendi que amar também era abrir a mão sem soltar a pessoa.
Era dizer:
Vá atrás do que faz seus olhos brilharem.
E confiar que, se aquilo que estamos construindo for verdadeiro, encontraremos um jeito de continuar juntos.
Thoughts
-
PermalinkRapaz, o medo dele de virar dispensável é o inverso do que eu fiz. Eu ocupei a agenda toda e a relação foi ficando de lado, sem briga nenhuma.
-
PermalinkA diferença entre precisar e escolher é o que me fica daqui. Passámos um ano em que ninguém escolheu nada, apenas continuámos por inércia, e o que destravou aquilo foi alguém dizer em voz alta que estava ali por querer. Não sei se serve a mais alguém, foi o que nos aconteceu cá em casa. Isto já estava decidido quando começaste a série, ou apareceu pelo caminho?
-
PermalinkA minha relação mais longa durou três meses e nessa altura já não tinha conversa nenhuma parecida com essa. Capítulo 15 e eles ainda estão combinando como continuar.
-
PermalinkEle põe a filha na lista das coisas que vão pesar e não faz disso drama, e isso é raro de ler. Combinar fins de semana com uma cidade pelo meio é sempre mais chato do que a conversa bonita, e mesmo assim faz-se.
-
PermalinkEle guardar o segundo sentimento pra depois eu entendo bem. Eu tambem so falo a primeira coisa que sinto.
-
PermalinkA diferença entre precisar de alguém e escolher alguém me fez pensar que o medo dele não vai embora só por ter sido dito em voz alta. Aposto que o capítulo 16 começa com ela já decidida e ele tendo que aprender a ocupar um fim de semana sozinho. Quinze capítulos e ainda dá vontade de saber o que vem!
-
PermalinkEle com medo e mesmo assim dizendo para ela ir é o capítulo mais difícil da série até agora. Fico contente de ver os dois falando das coisas chatas do futuro em vez de prometer amor eterno.
Related posts
-
A primeira vez da paixão.
Dias atrás, cortei caminho para fugir do trânsito e me dei conta de que estava próximo da minha antiga escola, lugar onde comecei minha caminhada escolar. Como um estalo, imagens de amigos,…
-
O garoto do cadarço
Deixando o cadarço de lado, dentro do sapato
-
Sinto.
Alguém me pediu um poema.
-
DIGA QUEM VOCÊ É
De onde você é e para onde você vai.
-
O tempo tem que ser meu amigo, é tudo o que eu vou ter!
Pessoal, devido a rotina, acabo esquecendo de entrar aqui ahhahhaha.
-
O Agora - Capitulo 8 Quando o medo falou mais alto
Alguns meses tinham passado.
-
Amores que queimam
Existem paixões que são como chamas suaves, necessitam das brisas de vento para se manterem queimando, e existem paixões que se transformam em incêndios dentro de nós, elas queimam e se espalham por…
-
A Morte do Monstro
A Morte do Monstro