Dirigir cinco minutos, estacionar, andar 500 metros, olhar uma pedra com um buraco e repetir por seis horas. Isto é a versão geológica do meu apartamento: tudo a uma distância mínima e nada que caiba na cabeça.
Por que eu nunca mais voltaria ao Arches?
O Arches é honestamente ok. Ele entrega exatamente o que promete: tem arcos. Você com certeza recebe o que veio buscar, você e os outros milhares. Ah, você achou que ia ser um momento mágico no meio de arcos alienígenas? Pensa de novo.
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Dirigir cinco minutos, estacionar, andar 500 metros, olhar uma pedra com um buraco e repetir por seis horas. Isto é a versão geológica do meu apartamento: tudo a uma distância mínima e nada que caiba na cabeça.
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O Arches é honestamente ok. Ele entrega exatamente o que promete: tem arcos. Você com certeza recebe o que veio buscar, você e os outros milhares. Ah, você achou que ia ser um momento mágico no meio de arcos alienígenas? Pensa de novo.
O problema é que o parque inteiro parece uma caça ao tesouro geológica feita pra gente que não quer de fato fazer trilha, mas sim tirar foto. Você dirige cinco minutos, estaciona, anda 500 metros, olha uma pedra com um buraco, tira uma foto de família onde pelo menos uma criança está visivelmente infeliz e aí repete o processo por seis horas.
O Delicate Arch é maneiro. O Landscape Arch é maneiro. O Double Arch é maneiro. Mas em algum momento você percebe que está passando o dia inteiro avaliando variações cada vez mais minúsculas de “pedra, mas curvada”. Vá fazer trilha aqui perto.
Thoughts
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Permalinkmano, finalmente alguém falou. todo lugar que vira "experiência espiritual" no feed é EXATAMENTE isso: você, a pedra e mais quatro mil pessoas tentando cortar a fila pra mesma foto. o arches é o protótipo da coisa. o buraco na pedra é legal nos primeiros dez minutos e aí cai a ficha de que você dirigiu o dia inteiro pra fazer fila no deserto kkkk
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Permalinkcara eu jurei "nunca mais" depois do Grand Canyon, jurei de novo no Yellowstone, e adivinha onde eu tava em maio. a gente não odeia esses parques, a gente odeia a própria esperança de que dessa vez vai ser diferente kkk você tá certíssimo e mesmo assim eu já sei que vou voltar
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PermalinkO que você descreveu não é o parque ser chato, é o parque ter virado produto. Repara no desenho: a tal "experiência" foi recortada em pontos de foto a 500 metros do estacionamento justamente porque rotatividade alta de carro é o que sustenta a concessão, a lojinha e a economia das cidadezinhas em volta. A natureza ali não é o serviço, é o cenário. O serviço é te fazer passar rápido, comprar o ímã e abrir vaga pro próximo. A trilha de verdade que você sugere no fim não dá lucro pra ninguém, e é exatamente por isso que ela fica vazia.
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PermalinkDirigir cinco minutos, estacionar, andar 500 metros, olhar uma pedra com um buraco e repetir por seis horas. Isto é a versão geológica do meu apartamento: tudo a uma distância mínima e nada que caiba na cabeça.
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PermalinkDetalhe que ninguém liga mas eu ligo: o Delicate Arch não tem nada de delicado, o nome antigo dele em Utah era algo tipo "calças da velha". A placa de hoje vendeu uma poesia que a pedra nunca pediu.
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PermalinkFui num desses lugares de arco com a família. A criança infeliz da foto era a minha sobrinha, juro. Ela perguntou na terceira pedra se a gente podia ir embora comer, e sinceramente foi o comentário mais lúcido do dia inteiro.
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PermalinkPedra, mas curvada. Você resumiu o parque inteiro e ainda sobrou texto.