Acompanhava a noite da janela
Com a lua se pondo no horizonte
E o Oriente clareando atrás do monte
A um olhar marejado que desvela.
Vi muitas madrugadas como aquela:
Insone e só até que o sol desponte…
Tendo a cidade inteira ora defronte,
Enquanto com meu sono ‘inda duela.
Hoje, porém, eu fiz calmo algo insano.
Ao pacificar n’alma essa agonia,
Que tem me acompanhado em desengano.
Começo agora em paz o novo dia:
Afora, o despertar quotidiano;
Em mim, de novo o sol amanhecia.
Betim - 12 12 1991