CORADA
Eu sei de cor a cor d'aquela face,
Que de sangue e de sol via corada.
Sempre a fiz em meus versos celebrada,
Como se jamais pálida ficasse.
Quis o Fado que d’ela m'encantasse,
Por anos lhe seguindo a mesma estrada.
Até que a última lágrima rolada
Pusesse fim ao nosso breve enlace.
Porém, por caridade d’esta vida,
Lhe sinto uma saudade desmedida,
Que não raro me aquece o coração.
Um rubor que recordo tão bonito,
Que, mesmo se existir, não acredito
Haver como ela alguém cor de paixão.
Belo Horizonte - 07 07 1994