As lâmpadas dos postes, acendidas,
Clamavam pela noite ao lusco-fusco.
O largo se ilumina um tanto brusco
E sombras avançando desmedidas.
Caminho sem saber pelo que busco,
Andando por extensas avenidas.
Na sarjeta de esquinas desvalidas
A lua em poças d'água enfim ofusco…
Sinos de vento soem a xilofone
Desde escuras varandas algo ledo,
Antes que até eu mesmo me abandone.
Por não saber do amor o seu segredo,
Hei-de vagar por toda a noite insone
Até que nasça o sol logo bem cedo.
Belo Horizonte - 01 09 1992