Eu insisto em desprezar a beleza da vida que reside no pequeno momento
Parece clichê
Pelo fato de sempre ouvir-mos falar disso,
Mas nunca o fazer
Qualquer que seja coisa boa
Conquista ou acontecimento
Não fica em mim por mais de um segundo
Já as coisas ruins, as imaginadas rejeições
As minúsculas frustrações,
Aquilo que não consegui fazer com inteira perfeição
Isso fica
Reside em mim
Martela
Pra me provar que não sou nada
Além de nada
Suspeito que todas as coisas em mim giram em torno disso
Minha mente se dobra e desdobra o vértice, apenas para me provar
Que não sou nada além de nada
Que eu já deveria prever que não vou ser feliz
Que a felicidade corre léguas de mim
Nunca quis nem apalavrear isso
Para não pensar como uma realidade, mas percebo que meu inconsciente já tem isso como convicção
Nesse caso, o apalavrear é uma forma de refutar
Dar de cara com esse elefante na sala
Ou melhor, na garganta
Conhecer um inimigo torna mais fácil o combate
Não se pode combater algo que você não vê
Ou que faz parte de você
O apalavrear é isso, concretizar algo para assim saber o que combater
Tornar algo a parte
E saber que essa parte não sou EU