Fiquei olhando para ela por alguns segundos, surpreso com a maneira como tinha acabado de falar comigo. Aquela garota realmente tinha coragem, disso eu não podia reclamar. Nunca imaginei que ela fosse abrir a boca para me enfrentar daquele jeito.
Soltei o braço dela devagar, percebendo que ainda o segurava, e franzi a testa.
— Você ficou maluca? Eu não chamei seu nome!
Respondi, com a voz baixa, mas firme.
Passei a mão pelos cabelos, soltando um suspiro irritado. Eu já estava perdendo a paciência com aquela situação, principalmente porque ela parecia ter certeza de que eu estava mentindo.
— Acha mesmo que eu perderia meu tempo andando pela casa sussurrando seu nome? Tenho coisas melhores para fazer, garota.
Revirei os olhos e me afastei um pouco da porta, deixando o caminho livre para ela passar. Entretanto, antes que pudesse dizer qualquer outra coisa, lembrei-me da voz que tinha ouvido momentos antes.
Meu semblante mudou por um instante.
Eu também tinha escutado aquilo. E, por mais que tentasse encontrar uma explicação, não conseguia entender de onde aquela voz havia vindo.
Olhei para o corredor escuro e depois voltei a encará-la.
— Escuta...
Começei, dessa vez sem aquele tom debochado de sempre.
— Eu sei que você não vai acreditar em mim, mas não fui eu.
Fiquei em silêncio por alguns segundos, observando sua expressão.
Madson:
— Quando ouvi a voz, estava na cozinha. Não tinha ninguém no corredor, e tenho certeza de que não era o Eithan.
Engoli em seco, incomodado com a lembrança. Eu odiava admitir quando alguma coisa me deixava desconfortável, principalmente na frente dela.
Cruzei os braços e tentei recuperar minha expressão habitual.
— E pode parar de me chamar de garoto. Meu nome é Neithan.
Dei um passo para o lado, deixando-a passar de uma vez.
— Agora, se quiser ir para o quarto, vai. Não vou impedir você.
Esperei que ela começasse a sair, mas, antes que desaparecesse pelo corredor, acabei falando novamente:
— Ei... garota.
Parei por um instante, desviando os olhos para a escada.
— Se ouvir alguém chamando seu nome outra vez, não responda. E, principalmente, não vá atrás da voz.
Minha expressão ficou séria.
Eu não sabia como explicar aquilo sem parecer maluco. Afinal, eu mesmo ainda tentava entender o que estava acontecendo naquela casa.
Voltei a olhar para ela e dei de ombros, fingindo que não me importava.
— Faz o que quiser. Só estou avisando.
Então, peguei meu copo na bancada e me virei para a pia, tentando encerrar aquela conversa.
Mas uma coisa continuava martelando na minha cabeça.
Se não tinha sido eu quem chamou o nome dela... quem diabos tinha sido?