Continuei andando pelos corredores da mansão, com as mãos nos bolsos e a cabeça cheia de pensamentos. Eu não tinha sono algum, então ficar andando de um lado para o outro parecia uma opção melhor do que me deitar e ficar olhando para o teto.
As luzes fracas iluminavam apenas parte do corredor, enquanto o restante permanecia mergulhado na penumbra. Passei por alguns quadros antigos, sem dar muita atenção a eles, até que ouvir barulho na cozinha.
Ergui o olhar e segui o corredor direto pra cozinha...
Ela parecia distraída, talvez cansada, e não percebeu minha presença quando eu cheguei na porta da cozinha.
Até que nos aproximamos.
Assim que virou o rosto e me viu parado ali, ela levou um susto, recuando um pouquinho e arregalando os olhos.
Eu parei por um instante, olhando para ela com uma sobrancelha arqueada.
— Nossa, vai me dizer que nunca viu uma pessoa andando pela própria casa?
Provoquei, deixando escapar um sorriso debochado.
Cruzei os braços, encostando o ombro na parede.
— O que foi? Viu um fantasma?
Soltei uma risadinha baixa, observando sua reação. Era engraçado como ela conseguia se assustar tão facilmente.
Inclinei a cabeça, olhando para a escada atrás dela.
— O que vc está fazendo aqui? Sua mãe não te falou pra não andar sozinha?
Esperei pela resposta, mantendo aquele meu jeito rabugento de sempre, embora, no fundo, estivesse curioso para saber o que ela estava fazendo acordada àquela hora da noite.