Revirei os olhos assim que ouvi os passos de Eithan desaparecerem pelo corredor do andar de cima.
— Finalmente esse peste foi dormir...
Resmunguei, olhando para a escada vazia.
Caminhei até o sofá e deixei a mochila da garota sobre ele, ajeitando-a de qualquer jeito antes de me afastar. Eu não fazia a menor ideia do motivo de estar carregando aquilo pela casa, mas, pelo menos, agora tinha me livrado daquele peso.
Enfiei as mãos nos bolsos da calça e comecei a andar pela sala, sem ter absolutamente nada para fazer.
A casa estava silenciosa demais.
Meus passos ecoavam pelo chão enquanto eu atravessava a sala, passava pelo corredor e voltava para o mesmo lugar. Não estava com sono, apesar do horário. Na verdade, ficar parado no quarto me parecia muito mais entediante do que andar por aquela mansão.
Passei os dedos pelos cabelos e olhei para as escadas.
— Eithan dorme cedo demais... parece até um velho.
Murmurei, soltando uma risadinha irônica.
Continuei andando pela casa, observando os quadros antigos pendurados nas paredes e os móveis que pareciam estar exatamente no mesmo lugar havia anos. Tudo era familiar para mim, cada corredor, cada porta, cada canto escuro daquela mansão.
Mesmo assim, havia noites em que a casa parecia diferente.
Parei diante de uma das janelas e observei o jardim do lado de fora. A escuridão cobria quase tudo, e as árvores balançavam lentamente com o vento. Fiquei ali por alguns segundos, encarando o reflexo do meu próprio rosto no vidro.
Então, me lembrei da garota.
Olhei por cima do ombro, na direção da sala, onde a mochila dela permanecia jogada no sofá.
— Essa menina ainda vai me dar dor de cabeça...
Murmurei, franzindo a testa.
Soltei um suspiro e voltei a caminhar, sem saber exatamente o que estava procurando. Talvez estivesse apenas tentando passar o tempo, ou talvez não quisesse admitir que aquela garota tinha conseguido despertar minha curiosidade.
Balancei a cabeça, afastando o pensamento.
— Tanto faz. Não é como se eu me importasse.
Continuei andando pelos corredores da mansão, com as mãos nos bolsos e aquela expressão fechada de sempre, enquanto o silêncio da noite parecia acompanhar cada passo meu.