Entrei na sala logo atrás de Eithan, com as mãos nos bolsos e a cabeça baixa. O barulho dos alunos conversando já estava começando a me irritar. Eu odiava aquele tipo de lugar, cheio de gente falando ao mesmo tempo como se o silêncio fosse algo proibido.
— Anda logo, Neithan.
Eithan resmungou, olhando para trás.
— Se tá com tanta pressa, vai sozinho.
Respondi, revirando os olhos.
Ele soltou uma risadinha irritante e continuou andando até encontrar uma mesa. Eu passei os olhos pela sala, procurando um lugar longe de qualquer pessoa que tivesse a infelicidade de tentar puxar assunto comigo.
Foi então que a vi.
A garota estava sentada no fundo da sala, distraída, enfeitando o próprio caderno. Sobre a mesa, havia um estojo rosa e uma garrafa de água em formato de gato. Revirei os olhos ao perceber o quanto ela parecia concentrada naquilo.
Que criatura estranha.
Puxei uma cadeira algumas mesas à frente e me sentei, jogando a mochila no chão. Por algum motivo, senti que ela estava olhando na minha direção. Virei o rosto discretamente e nossos olhares quase se encontraram, mas tratei de desviar antes que ela percebesse.
Eu não tinha a menor intenção de conversar com ela. Muito menos de ficar pensando naquela sensação esquisita que me acompanhava desde a manhã.
Apoiei o cotovelo na mesa e encarei a janela. Lá fora, por um breve instante, tive a impressão de ver uma figura vestida de preto parada perto das árvores do pátio.
Pisquei, e ela havia desaparecido.
Apertei os dedos contra a madeira da mesa.
De novo, não.
— Neithan?
Eithan chamou, sentando-se ao meu lado.
— Tá tudo bem?
— Tô ótimo. Agora cala a boca.