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Em que mundo eu vivo?

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Pensamento

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HoracioMelo

A torneira aberta no fim vira o poema do avesso: aquela água toda que parecia mar alto afinal cabia dentro de casa. E as perguntas do fim vêm uma atrás da outra sem ninguém lhes responder, que é o que pesa.

A torneira aberta no fim vira o poema do avesso: aquela água toda que parecia mar alto afinal cabia dentro de casa. E as perguntas do fim vêm uma atrás da outra sem ninguém lhes responder, que é o que pesa.

Conteúdo da publicação

Em que mundo eu vivo?

Sinto como se eu fosse morrer,

Mas será que eu sequer existo?

Minhas dores foram guardadas

Sem ter pra onde escapar.

Eu procurei ajuda,

Eu realmente quis gritar.

Tudo isso foi em vão e eu não pude me salvar.

Vejo a água subir,

Eu desisti de lutar e me deixei afogar.

Como eu parei aqui?

Quando eu errei?

Isso já não importa mais.

Eu só quero poder desistir

Sem a culpa me pegar.

Sem um fardo me tornar.

Uma voz me chama.

Era isso que eu precisava

Pra poder continuar?

Começo a lutar até poder

Ver a luz enfim brilhar.

Começo a chorar em imaginar

No fim disso que pensei estar

Numa realidade tão distante,

Fora do meu alcance.

Estiquei minha mão pra me ajudarem

Esperando quem me enxergou.

Eu fui tolo em esperar alguém se importar.

Minha vida foi um erro?

Como não notei a torneira aberta?

Como pude não saber nadar?

Me afoguei em tremenda

solidão

Que nunca pude escapar.

Thoughts

  • HoracioMelo

    A torneira aberta no fim vira o poema do avesso: aquela água toda que parecia mar alto afinal cabia dentro de casa. E as perguntas do fim vêm uma atrás da outra sem ninguém lhes responder, que é o que pesa.

    Permalink
  • leituraDaNoite

    O título me fez esperar mar aberto, e aí vem uma torneira aberta. Isso me pegou: a água subindo devagar dentro de casa, sem ninguém notar, é muito mais difícil de ver chegando do que uma onda. E aquela voz que chama no meio do poema ficou comigo até o fim, mesmo com o fim indo pro outro lado.

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