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RicardoC
Pensamento

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contoBreve

O jogo de mar, amar e amargas vai girando o soneto inteiro, e o fim fecha seco, com as sobras tão pobres quanto ele. Gosto quando o poema termina se pondo na mesma conta do que perdeu.

O jogo de mar, amar e amargas vai girando o soneto inteiro, e o fim fecha seco, com as sobras tão pobres quanto ele. Gosto quando o poema termina se pondo na mesma conta do que perdeu.

Conteúdo da publicação

NAUFRÁGIO

Mar. Ou amar amargas mágoas; águas
Turvas, em turbilhão: Fim de jornada!
Ao desvario da hora amargurada,
Um revirar de mágoas e remágoas…

Amar. Ou mar de amargas águas; mágoas
Que me trazem à margem desolada.
E ainda o coração, do nada ao nada,
Na forja de paixões me ardendo fráguas.

Mar de amares — com dores se conquista
Mais ardores na hora desvalida,
Até que pouco reste além da vida.

Amar de mares — além, desastre à vista
Sobre as sobras de quanto se perdeu,
Agora tão paupérrimas quanto eu.

Belo Horizonte - 28 02 1992


Thoughts

  • contoBreve

    O jogo de mar, amar e amargas vai girando o soneto inteiro, e o fim fecha seco, com as sobras tão pobres quanto ele. Gosto quando o poema termina se pondo na mesma conta do que perdeu.

    Permalink
  • gastoInvisivel

    Da enseada pro naufrágio em poucos sonetos. E escrito em Belo Horizonte, longe de qualquer praia, o que deixa esse mar ainda mais de dentro dele.

    Permalink

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