Sou eu, personagem de fundo mal desenhado, com a ambição de ser a protagonista central com nome na capa.
Sou eu que poderia fazer história, comoção, uma verdadeira lição.
Mas sou eu que faço histórias psicodélicas, mundos irreais, e de repente minha visão embaçada, bem revigorada, vê a escuridão.
Alguém que pensa tanto, capaz de a todos agradar, mas só isso mesmo, por que só é tudo que eu consigo pensar, e a felicidade só de outros consigo olhar.
Como se tudo em que posso viver fosse feito com algo faltando, algo que até o mais errante recebeu, que me deixa abaixo desse nível, eu não sou nem humano.
Às vezes se imagina como se deve ser ter alguém, uma relação real, algo que não fui para esse mundo, sinto raiva e desgosto, no meu mais fundo, queria ver a todos sendo igual a mim, solitário.
Algo que pode até agradar, mas é esquecível, doce, mas tão salgado por dentro que só degustam do que precisam.
Algo que sente demais, isso é um problema, tanto problema, é o mesmo de viver como se uma lâmina empalada, no mais fundo de seu coração, colocada por aqueles que mais amava e que agora desanda, sem ar, e o amar?
Sob nenhum pensamento de lembrança, se vem a coisa esquecida, a coisa que sofre, sofre e continua.
Algo incompleto sem propósito, e que propósito teria com defeito? Algo que busca uma simples justificativa, não aceita, é o próprio erro, e disso não tem como mudar.
Algo que não importa, e por que importaria?