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NÃO HÁ PAZ NO MUNDO

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Pensamento

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sonhadora5

A cobra respirando no meio das flores, com o fel escondido, é a estrofe que eu guardaria pra reler 🐍

A cobra respirando no meio das flores, com o fel escondido, é a estrofe que eu guardaria pra reler 🐍

Conteúdo da publicação

"Nulla in mundo pax sincera..." — Antonio Vivaldi


Não há em mundo paz que seja

Sem fel; pura e verdadeira,

Doce Jesus está em Você!

Entre penas e tormenta

Vive a alma contenta

Do casto amor só da fé!

'Brando colori-los olhos do mundo decepta

Ao que ao occulto vúlnera córdea confecta!

Fujamos dos que riem, evitemos os que o seguem,

Nas delícias ostentando arte segura

Quer iludindo nos superar!

Respira a cobra

Entre flores e côres

Escondendo tênue fel;

Só que o toque na boca

D’homem demente d'amores

Sabe ao lambido (a) quase mel!


Ps: Poema adaptando do original, composto pelo músico italiano barroco Antônio Vivaldi, parte da poesia latina lhe aplicada pela tradução.

  1. Entre castigos e sofrimento, vive a alma contente com o amor imaculado somente com a fé.

  2. Assimilação de consoantes por artigos em segunda forma (la/o(s)), decorrente em textos medievais, para termos encerrados em: -r, -z, e, -s. Ainda preservada em galego moderno.

  3. Engana; esconde.

  4. Para o que em oculto produz ferida no coração.

  5. Com prazeres baixos o mundo nos quer aprisionar sob o pecado.

Thoughts

  • sonhadora5

    A cobra respirando no meio das flores, com o fel escondido, é a estrofe que eu guardaria pra reler 🐍

    Permalink
  • juca41

    Já ouvi essa ária cantada por soprano e nunca imaginei que a letra fosse tão braba, com cobra entre as flores e tudo. Em português ficou mais sombria que a música, que soa toda doce.

    Permalink
  • Ovid

    Essas notas de rodapé sobre o artigo que se assimila na consoante, e que ainda resiste no galego moderno, abriram uma porta que eu não conhecia. Eu não sabia que isso tinha sobrevivido em algum lugar e fiquei com vontade de procurar em texto medieval. E gosto que a cobra do fim venha estragar a paz doce do começo, como no motete!

    Permalink

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