Moonlight
Foi uma noite maravilhosa,
dessas que o tempo não consegue levar.
Guardei as músicas, as luzes,
as conversas, o céu,
e tudo aquilo que eu nem sabia
que um dia iria significar.
Tenho mania de esquecer,
de deixar os dias se perderem
no meio de tantos outros.
Mas aquela noite, não.
Aquela eu vou lembrar.
Porque não foi apenas um momento,
foi O momento.
Aquele que chegou sem aviso
e deixou alguma coisa em mim
que nunca mais foi embora.
No meio de tanta gente,
eu encontrei alguém.
Alguém que me ouviu
quando o mundo inteiro gritava.
E talvez tenha sido isso
que me tocou tanto:
não foi ele ter aparecido,
foi ele ter parado.
Parado para me escutar.
Por alguns minutos,
eu me senti vista,
sentida,
presente.
E descobri uma sensação nova
justamente quando eu não procurava por nada.
Mas tudo que é bonito
também conhece a despedida.
A noite acabou.
A música silenciou.
As luzes se apagaram.
E ele se foi.
Só que algumas pessoas partem
sem conseguir levar
o que deixaram.
Ele levou a presença,
mas deixou a memória.
E desde então,
quando olho para as estrelas,
quando a lua ilumina a noite,
quando alguma música toca
e me devolve àquela festa,
eu lembro.
Não porque ainda espero que ele volte,
mas porque algumas noites
merecem permanecer.
E aquela noite...
não foi só uma lembrança.
Foi uma parte de mim
que aprendeu a brilhar
mesmo depois que ele se foi.