Eu pedi licença,
mas a porta não se abriu.
Eu disse frases inteiras,
mas ninguém as ouviu.
Então parei de bater.
Não porque deixei de querer entrar,
mas porque descobri
que algumas portas
foram feitas para permanecer fechadas.
E, quando o silêncio respondeu
tudo aquilo que as pessoas não responderam,
eu comecei a escrever.
Escrevi o que minha voz não alcançava,
o que meus olhos escondiam,
o que meu peito gritava
sem fazer barulho.
Talvez eu nunca tenha precisado
que abrissem a porta.
Talvez eu só precisasse
descobrir que também sei construir janelas.
E foi assim que eu entendi:
nem todo silêncio é vazio.
Às vezes,
é onde nasce um poeta.
GALTER.
Não é um nome.
É tudo aquilo que sobrou
quando eu parei de tentar ser
quem esperavam que eu fosse.