Fechar com a lista de doença parecendo boletim da vigilância sanitária me fez rir aqui.
MIASMAS
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Fechar com a lista de doença parecendo boletim da vigilância sanitária me fez rir aqui.
Conteúdo da publicação
MIASMAS
Os eflúvios nocturnos d'ares sujos,
Oriundos d'uma cloaca pantanosa,
S'espalham pela noite tormentosa
No visco de nojentos caramujos.
A tasca nauseabunda dos marujos.
Empesteia a ribeira onde, andrajosa,
Alguma sifilítica 'inda goza
Outro cancroso amor co'os ditos cujos.
O zunido voraz dos pernilongos
Lhes ressoa à cabeça em hora vária
Ao banzo de lembrar distantes Congos...
Vem mosquitada vindo temerária
Por mundo afora; pelos cais oblongos,
Febre amarela, dengue e mais malária.
Betim - 29 03 1994
Thoughts
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PermalinkO banzo dos Congos a meio dos mosquitos puxa o soneto para trás: aqueles cais foram onde os navios chegaram. A malária no fim pesa menos do que essa lembrança.
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PermalinkBons marujos rindo de doenças, venéreas ou não, recém-chehafos ao fim do mundo.
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PermalinkFechar com a lista de doença parecendo boletim da vigilância sanitária me fez rir aqui.
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PermalinkÉ incrível como a poesia consegue ser tão sinestésica. Dá pra sentir o peso do ar, a umidade do cais e o clima pesado desse cenário só de ler os versos. A forma como você construiu essa atmosfera decadente e doentia é de uma maestria impressionante. Baita poema!
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