O Nathan passando bem depois da carta dos Enamorados kkk o Ariel fazendo o sinal da cruz me quebrou
Meu namorado fantasma capítulo 21
Pensamento
O Nathan passando bem depois da carta dos Enamorados kkk o Ariel fazendo o sinal da cruz me quebrou
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Segunda-feira, 20 de maio de 2024
Estou debaixo do chuveiro, e as memórias de Álvaro passam pela minha cabeça como um filme.
A grande dúvida que ele levou para o túmulo finalmente foi respondida.
Álvaro passou a vida inteira querendo descobrir quem havia matado Ariadne, mas talvez tenha sido melhor que ele tenha morrido sem saber a verdade. Descobrir que Miguel era o assassino o teria destruído ainda mais. Ele já carregava o peso do segredo envolvendo a morte de Tomás.
Depois de me arrumar, desço as escadas e me sento à mesa para o café da manhã.
Meu pai, minha mãe, Cecília e minha prima Camille já estavam lá. Ela havia vindo passar o fim de semana conosco.
Assim que olho para Camille, fico impressionado com a semelhança que ela tem com Leonor.
Camille é claramente a reencarnação de Leonor.
Na vida passada, nós tivemos um casamento de fachada. Leonor vivia um amor proibido com Constança, assim como Álvaro vivia um amor proibido com Miguel.
Evelyn é a reencarnação de Constança.
Constança e Leonor se amavam profundamente naquela vida.
Será que estão destinadas a se amar novamente nesta existência, agora como Evelyn e Camille?
- Nossa, esse fim de semana passou tão rápido. - diz Cecília, frustrada, enquanto olha para Camille. - Você mal chegou e já precisa voltar.
- Infelizmente, tenho aula à tarde, prima. - responde Camille com tristeza. - Mas prometo que venho passar as férias aqui. - acrescenta com um sorriso.
- Tomara que o titio deixe. - diz Cecília, um pouco receosa. - Ele fica muito preocupado quando você vem para cá.
- Eu vou conversar com meu irmão. - diz meu pai com determinação. - Ele sabe muito bem que cuidamos da Camille com todo o carinho. Não há motivo para tanta preocupação.
A grande preocupação do meu tio é que Camille tem baixa visão e, a cada dia que passa, sua condição piora um pouco mais. Ela já até começou a usar uma bengala verde.
Mas falar sobre isso não é um assunto delicado para ela. Pelo contrário. Camille conversa sobre sua deficiência com naturalidade e nunca demonstra incômodo quando alguém toca no assunto.
Depois de tomar café, fui para o jardim com Camille. Ela queria sentir o perfume das flores enquanto o motorista ia buscar o carro. Cecília havia esquecido a mochila no quarto e correu para buscá-la.
- Você pode me tirar uma dúvida? - pergunta Camille, curiosa.
- Qual? - questiono.
- Qual é o seu nome de verdade? - pergunta Camille, arqueando uma sobrancelha.
Sinto um arrepio percorrer minha espinha.
- Do que você está falando? - finjo não entender.
- Não se faça de sonso. - Camille cruza os braços. - Eu sei muito bem que você não é o Sebastião.
- O que você está insinuando? Que eu mantive o Sebastião em cativeiro? - brinco com um sorriso nervoso. - E agora estou ocupando o lugar dele?
- Você já recuperou todas as suas memórias, não é? - questiona Camille.
E agora? O que eu respondo? E se ela começar a fazer perguntas sobre o passado? Eu seria descoberto.
- Claramente ainda não recuperei todas as memórias. - respondo, tentando parecer firme.
- Não precisa ficar nervoso. - diz Camille antes de cair na gargalhada. - Eu não vou fazer um interrogatório sobre as memórias do Sebastião.
- E por que você acha que eu não sou o Sebastião? - pergunto, um pouco nervoso.
- Porque o Sebastião era um idiota. - responde Camille com convicção. - Vivia implicando comigo, e principalmente com a Cecília.
Não consigo evitar uma pequena risada.
- Mas fico feliz que você tenha ficado no lugar dele. - continua ela com um sorriso. - Você é gentil, educado e trata todo mundo com respeito.
- As pessoas mudam, sabia? - digo com firmeza. - Eu amadureci e me tornei uma pessoa melhor.
- A Cecília pensa a mesma coisa que eu, mas não tem coragem de dizer. - diz Camille, tateando o ar até encontrar meu ombro. - Tenho certeza de que outra pessoa entrou no corpo do Sebastião quando ele acordou do coma.
Ela sorri.
- E fico feliz que tenha sido você.
- É melhor você e a Cecília pararem com essa brincadeira de mau gosto. - digo firmemente. - Senão vou acabar levando as duas ao psiquiatra.
- Tá bom, parei. - responde Camille.
Ela tateia até encontrar meu rosto e aperta minhas bochechas.
- Mas, por favor, não volte a ser aquele idiota.
Dou uma risada.
- Eu amo essa sua versão de priminho gente boa. - acrescenta ela antes de me abraçar.
- Não se preocupe. Não vou voltar a ser como antes. - respondo sem jeito, retribuindo o abraço e passando as mãos por suas costas.
Meu segredo havia sido descoberto.
Cecília e Camille tinham absoluta certeza de que eu não era o Sebastião. Apenas meus pais não desconfiavam de nada... ou talvez preferissem ignorar os sinais.
Logo o motorista chegou e levou Cecília e eu para a escola. Depois, seguiria para o aeroporto com Camille.
Durante todo o trajeto, eu só conseguia pensar na Dani.
Será que ela estava melhor?
Assim que cheguei à escola e atravessei o pátio, vi Daniella e Ariel conversando no jardim.
Aquela cena encheu meu coração de alegria.
Os dois pareciam bem.
Passei discretamente para que não me vissem.
Entrei na sala e logo Evelyn veio até mim.
- Como estão as coisas por lá? - murmura bem baixinho. - Eles se acertaram?
- Sim. - também respondo em voz baixa. - Senti que o clima entre eles estava bem mais leve quando passei pelo jardim.
- Que bom. - diz Evelyn, aliviada, enquanto se senta. - Agora a única coisa que me preocupa é essa maldição da Dani.
- A senhora Celeste vai encontrar um jeito. - digo com esperança. - Ela disse que já quebrou muitas maldições.
- Tomara mesmo. - responde Evelyn, visivelmente preocupada. - Ainda não estou preparada para perder minha amiga.
- Nem te contei. Sua alma gêmea foi embora. - digo, tentando mudar de assunto. - Agora você nem tem mais chance de conhecer a Camille.
- E quem disse que eu tenho vontade de conhecê-la? - rebate Evelyn friamente. - Se nós fomos almas gêmeas na vida passada, isso ficou na vida passada.
Arqueio uma sobrancelha.
- Você não sente falta de Leonor?
Evelyn fica em silêncio por alguns instantes antes de responder.
- Confesso que, quando recuperei as memórias de Constança, fiquei bastante confusa. - Ela suspira. - O que aquelas duas tiveram foi muito intenso. Ainda consigo sentir o amor que existia entre elas. - diz, levando a mão ao peito.
Ela então balança a cabeça e sorri de leve.
- Mas aquela vida já não me pertence. Agora eu sou Evelyn, não mais Constança. - acrescenta com firmeza.
Não demorou muito para Dani e Ariel entrarem na sala. Os dois estavam sorrindo.
Assim que me viu, Daniella abriu um lindo sorriso na minha direção.
O clima entre o nosso grupo estava muito melhor, e isso me deixou aliviado.
No intervalo, nos sentamos juntos no refeitório.
- Dani, faz uma leitura para mim. - pede Ariel, um pouco sem jeito. - Quero saber se vou encontrar minha alma gêmea logo.
- Tá bom, então. - responde Dani, já tirando o tarô da bolsa. - Vamos consultar a vida amorosa do senhor Ariel.
- Por favor, tarô, me diga que eu vou encontrar um namorado. - diz Ariel com esperança. - E um fofinho, de preferência.
Todos nós rimos.
- Escolhe as cartas. - diz Dani enquanto espalhava o baralho pela mesa.
- Vamos lá. - Ariel estica a mão, um pouco receoso. - Essa aqui... essa também... e essa.
Depois que ele escolheu as cartas, Dani reuniu o restante do baralho e começou a virar as cartas selecionadas.
- Interessante... - murmura ela.
- O que foi? - pergunta Ariel, já nervoso.
- A primeira carta é Os Enamorados. - Dani aponta para a carta. - Ela fala sobre escolhas afetivas importantes e sobre uma conexão amorosa muito forte.
Os olhos de Ariel se arregalam.
- A segunda é A Estrela. - continua Dani. - Ela representa esperança, renovação e novos começos. É uma carta muito positiva.
- Nossa, estou ficando arrepiado. - comenta Ariel.
- Calma, ainda tem mais. - responde Dani, com um tom misterioso.
Ela vira outra carta.
- O Sol. Ela fala sobre felicidade, clareza e realização. Mostra que essa relação tem potencial para trazer alegria.
- Continua. - diz Ariel, com um sorriso de orelha a orelha.
Dani vira mais duas cartas e franze levemente a testa.
- Hum... isso é interessante.
- O quê? - Ariel praticamente se inclina sobre a mesa.
- Aqui temos A Roda da Fortuna e o Dois de Copas.
- Isso é bom ou ruim?
- Muito bom. - responde Dani. - A Roda da Fortuna fala sobre encontros inesperados e acontecimentos que mudam nossos caminhos. Já o Dois de Copas representa uma conexão emocional verdadeira.
- Então eu vou encontrar alguém?
- Sim. E não parece que será algo planejado. Pelo contrário, as cartas mostram que essa pessoa vai surgir de forma totalmente inesperada.
- Tipo esbarrar em alguém no corredor? - pergunta Ariel.
- Talvez. - Dani dá de ombros. - Mas o mais curioso é que as cartas não mostram uma paixão imediata.
- Como assim?
Dani observa as cartas por alguns segundos.
- Parece que vocês vão começar como duas pessoas comuns. Vão se aproximar aos poucos, conversar, criar intimidade... e, quando perceberem, já estarão apaixonados.
- E tem mais. - acrescenta Dani. - As cartas mostram que essa pessoa já está mais perto do que você imagina.
- Perto como?
- Frequenta os mesmos lugares que você. - responde Dani. - Muito provavelmente alguém da escola.
- Da escola? - Ariel arregala os olhos.
- Foi o que as cartas indicaram.
Ariel leva as mãos ao rosto.
- Meu Deus, meu futuro namorado está estudando aqui e eu nem sei quem é!
- Ou talvez já saiba e ainda não percebeu. - provoca Evelyn.
Ariel imediatamente começa a olhar para os alunos no refeitório.
De repente, a Trindade de Ouro passa por nós: Nathan, Augusto e outro garoto.
Nossa.
Eles realmente não perderam tempo para me substituir.
- Para de me olhar assim, Ariel, senão eu me apaixono. - diz Nathan em tom de deboche enquanto passa pela nossa mesa.
- Credo. - Ariel desvia o olhar imediatamente e volta a encarar a mesa.
- Tá aí a sua paixão inesperada. - comenta Evelyn, incrédula.
- Deus me livre. - responde Ariel, horrorizado, fazendo o sinal da cruz. - Nunca mais me apaixono por gente assim.
- E aí, irmãzinha! - diz Beatrice do nada, surgindo por trás de Dani e a abraçando.
Todos se assustam.
- E aí, gente! - acrescenta ela, sentando-se ao lado de Dani.
- O que deu em você? - pergunta Dani, totalmente incrédula.
Eu, Evelyn e Ariel trocamos olhares, claramente confusos.
- É tão bom estar entre meus irmãos de novo. - diz Beatrice com um sorriso enquanto observa Dani e Ariel.
- Entre irmãos? - repete Evelyn, franzindo a testa. - Do que você está falando, garota?
- É só modo de falar. - responde Beatrice, um pouco sem jeito.
De repente, ela olha para mim.
Espera...
Aqueles olhos.
Beatrice não tem olhos castanhos.
Será que ela está usando lentes?
Mas não era apenas isso.
Era o jeito como ela olhava.
Principalmente a forma como observava Dani e Ariel.
Havia algo estranhamente familiar naquele olhar.
Meu coração acelerou.
Era exatamente o mesmo jeito que Tomás costumava olhar para Miguel e Ariadne.
Um olhar carregado de carinho.
De afeto.
De alguém que finalmente havia reencontrado as pessoas que mais amava.
Um frio percorreu minha espinha.
Não...
Não podia ser.
Mas, naquele instante, uma possibilidade passou pela minha mente.
E se Tomás tivesse voltado?
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