O Menino Invisível
Cresceu à sombra de um olhar severo,
Julgado antes mesmo de tentar.
O mundo parecia frio e austero,
E o seu desejo era só se ocultar.
Perguntas ecoavam no vazio:
“Por que o peso dessa rejeição?”
Na infância, enfrentou um longo estio,
Sem uma mão, sem um amigo, em vão.
A adolescência veio como perda,
Onde o apoio nunca fez morada.
Havia sempre alguém que o deserdasse,
Mas alma alguma para dar jornada.
Na dor profunda de se ver sozinho,
Falou o que não devia falar.
Feriu até quem tinha mais carinho,
Cego pela angústia de sangrar.
Sentiu a raiva que o mundo pedia,
A revolta de quem só teve o desprezo.
E contra si a culpa reluzia,
Carregando nas costas esse peso.
Hoje, olho ao céu e busco uma resposta,
Ao ver a estrada que esse homem fez.
Por que a vida foi tão bem disposta
A rejeitá-lo vez após outra vez?
O tempo passa, a cicatriz se molda,
Mas fica o eco de um clamor antigo:
Por que negar a quem a dor acolhe,
O simples direito de ter um amigo?
Lucas Frutuoso