— Oi… tudo bem?
— Tô bem. E você?
— Vou ficar bem no dia em que conseguir parar de sentir seu cheiro quando o vento passa…
No dia em que sua voz deixar de aparecer no silêncio.
No dia em que eu conseguir fechar os olhos sem ver seu sorriso.
— …
— Eu sinto sua falta.
— Eu também… mas talvez tenha sido melhor assim.
— Melhor pra quem?
Pra você? Pra mim? Pro mundo?
A gente sente saudade. Os dois sentem.
Então como pode ter sido melhor?
Porque, no fundo, a gente sabe que não foi simplesmente melhor.
A gente sabe o que existia entre nós.
Sabe o quanto a gente ainda poderia ter vivido.
Sabe o quanto poderíamos ter sido incríveis juntos.
Você dizia que me amava.
— Eu amo você. E talvez eu nunca mais ame ninguém assim.
Mas eu não consigo… eu não consigo ter você na minha vida vivendo todos os dias com medo de te perder.
Eu não tenho mais forças pra isso.
— Medo?
Você já está me perdendo.
E mesmo assim você teve medo de me perder?
É isso que eu não consigo entender.
Porque, no fim, o medo de me perder foi justamente o que fez você me perder.
E talvez essa seja a parte que mais dói.
Não porque eu não entenda que você teve medo…
Mas porque eu teria ficado.
Mesmo com medo.
Eu teria ficado.