O perdão aparece do lado de quem escravizou, e pra mim é a parte mais amarga do soneto. O final nem tenta consertar isso, pede só sobreviver e fazer a vida valer.
MALUNGO (no mesmo barco)
Pensamento
O perdão aparece do lado de quem escravizou, e pra mim é a parte mais amarga do soneto. O final nem tenta consertar isso, pede só sobreviver e fazer a vida valer.
Conteúdo da publicação
Tu, que também viveste o qu'eu vivi
Face à estupidez quase absoluta,
Viste que a resistência ainda é luta!
Por isso que contigo resisti...
Mal-vindos desde Angola até aqui,
A única Boa Nova que s'escuta
É a que lhes perdoa a má conduta,
Enquanto escravizava a mim e a ti.
Malungo, meu irmão de travessia.
Coetâneo da desgraça inenarrável,
Sabes a liberdade já tardia.
Contudo, forçoso é sobreviver
Inobstante o que venha acontecer,
Fazendo a vida mesma memorável.
Betim - 19 04 1995
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