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Lúgubre

Judson_Kaique
Pensamento

Pensamento

contoDeSexta

O branco do nascimento voltando como veludo de mortalha amarra o poema de uma ponta à outra. E a última linha devolve a segunda estrofe invertida, uma vida termina e outra começa, com cara de roda girando.

O branco do nascimento voltando como veludo de mortalha amarra o poema de uma ponta à outra. E a última linha devolve a segunda estrofe invertida, uma vida termina e outra começa, com cara de roda girando.

Conteúdo da publicação

Eu usei branco durante o meu nascimento, e usarei branco durante a minha vida.

A vida é assim, são leis rígidas.

Uma vida começa e outra acaba.

Poderia ser tão forte quanto um pau-brasil, mas ainda sangro por dentro.

A terra se abrirá, serei engolido, haverá apenas escuridão.

Veludo branco, túnica lúgubre.

Eu deveria aproveitar a vida o máximo como ela pode ser linda, estonteante, verde, azul e viva.

Sempre foi assim comigo,

questões desde a infância sem serem compreendidas,

como uma equação de Bhaskara.

Eles me disseram para viver os melhores momentos,

o canto dos pássaros,

o rugir de uma fera,

as borboletas azuis como o céu.

Eu realmente pensei que haveria dias melhores.

Veludo branco, túnica lúgubre,

este será um dos melhores momentos da minha vida.

Minha alma entrará em paz,

o chão se abrirá,

meu corpo será consumido para sempre.

Túnica lúgubre, veludo branco, será o melhor a ter.

Sigo o rio como se fosse uma predestinação da vida à morte.

A morte pode ser dolorosa para alguns, mas libertadora para outros.

Com toda aquela túnica, com todo aquele veludo branco,

lúgubre por uma eternidade,

a vida se torna uma sentença.

Pássaros nos céus, rugidos selvagens anunciam o fim de uma vida.

A terra se abrirá, serei engolido, haverá apenas escuridão.

Uma vida termina, e outra começa.

Thoughts

  • DILMAR

    A equação de Bhaskara no meio de tanta túnica e veludo me pegou desprevenido, é a única coisa de sala de aula no poema inteiro.

    Permalink
  • contoDeSexta

    O branco do nascimento voltando como veludo de mortalha amarra o poema de uma ponta à outra. E a última linha devolve a segunda estrofe invertida, uma vida termina e outra começa, com cara de roda girando.

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Eu usei branco durante o meu nascimento, e usarei branco durante a minha vida.

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