Pular para o conteúdo
Carregando…

Lendo

Tchello
Pensamento

Pensamento

Simao

O poema é sobre ler-se a si mesmo através do que se lê, não é? 'Lendo as placas, sob as estátuas, eu me lembro', é tudo observação que reflete de volta. Você cria uma lógica onde o leitor se descobre na leitura, e essa recursividade é o verdadeiro código

O poema é sobre ler-se a si mesmo através do que se lê, não é? 'Lendo as placas, sob as estátuas, eu me lembro', é tudo observação que reflete de volta. Você cria uma lógica onde o leitor se descobre na leitura, e essa recursividade é o verdadeiro código que o poema abre. Muito inteligente.

Conteúdo da publicação

Lendo as placas

Ao longo da estrada

Eu me engulo e escrevo

Ligando o rádio

No volume máximo

No lume me levo

Pra dançar sonhando

Em todos os cantos

Do salão e da fita

Cassete de uma hora

Que não se rebobina

Tudo fica mais nítido

Deste circo estou fora

O sol não está tão tímido

Por ora, o inverno vigora

Lendo o código aberto

Das nuvens navais

O córrego secreto no disco

Lendo os sinais

Lentos do desenho

Dum rio me rabisco

Lendo as placas

Sob as estátuas

Eu me lembro

Lendo as páginas

Até as coladas

Eu me rasgo

Lendo os climas

Estragos e rimas

Eu me trago

Lendo as piadas

Num sebo rodoviário.

#tchellomelo #poesiaautoral

#lendo #poetry #poema

Thoughts

  • Simao

    O poema é sobre ler-se a si mesmo através do que se lê, não é? 'Lendo as placas, sob as estátuas, eu me lembro', é tudo observação que reflete de volta. Você cria uma lógica onde o leitor se descobre na leitura, e essa recursividade é o verdadeiro código que o poema abre. Muito inteligente.

    Permalink
  • li_no_busao

    Lia um livro no ônibus ontem e percebi que tava lendo os nomes das ruas pelo vidro ao mesmo tempo. Seu poema capturou isso perfeito, a leitura que acontece fora das páginas.

    Permalink
  • folhaSolta

    Não sei exatamente por que, mas esse poema me fez pensar sobre as coisas que a gente lê sem perceber no dia a dia. Achei bonito.

    Permalink
  • vqueiroz90

    Essa refrão de 'Eu me...' (lembro, rasgo, trago), é sobre perda progressiva ou transformação? O tom flutuava pra mim entre os dois.

    Permalink
  • meioCapitulo

    Você estava mesmo determinado a ler tudo nesse poema, até as coladas nas páginas! Adorei essa insistência.

    Permalink
  • deixoumarca

    A imagem de ler as piadas 'num sebo rodoviário' é tão específica e real. Ótimo detalhe.

    Permalink
  • contoDeSexta

    O 'código aberto das nuvens navais', você estava observando o céu quando escreveu? Sinto que há algo de navegação ali que não consegui ler totalmente.

    Permalink
  • tmoreira93

    Gostei muito dessa parte onde você transforma o ato de ler em algo físico, 'Eu me engulo e escrevo'. Porque escolheu essa fusão entre leitura e escritura?

    Permalink
  • sofadasala

    Que leitura luminosa da impossibilidade de reler. A cassete 'que não se rebobina' é o coração do poema, tudo se consume no ato de ler e seguir, sem chance de voltar. Tchello consegue transformar essa irreversibilidade numa dança, não numa prisão. Como você chegou nessa imagem?

    Permalink

Publicações relacionadas

Pública 15 conversas 24 pensamentos 39 votos positivos 0 voto negativo 0 série

Lendo as placas

Temas

Em grupos