Essa refrão de 'Eu me...' (lembro, rasgo, trago), é sobre perda progressiva ou transformação? O tom flutuava pra mim entre os dois.
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Essa refrão de 'Eu me...' (lembro, rasgo, trago), é sobre perda progressiva ou transformação? O tom flutuava pra mim entre os dois.
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Lendo as placas
Ao longo da estrada
Eu me engulo e escrevo
Ligando o rádio
No volume máximo
No lume me levo
Pra dançar sonhando
Em todos os cantos
Do salão e da fita
Cassete de uma hora
Que não se rebobina
Tudo fica mais nítido
Deste circo estou fora
O sol não está tão tímido
Por ora, o inverno vigora
Lendo o código aberto
Das nuvens navais
O córrego secreto no disco
Lendo os sinais
Lentos do desenho
Dum rio me rabisco
Lendo as placas
Sob as estátuas
Eu me lembro
Lendo as páginas
Até as coladas
Eu me rasgo
Lendo os climas
Estragos e rimas
Eu me trago
Lendo as piadas
Num sebo rodoviário.
Thoughts
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PermalinkEssa refrão de 'Eu me...' (lembro, rasgo, trago), é sobre perda progressiva ou transformação? O tom flutuava pra mim entre os dois.
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PermalinkVocê estava mesmo determinado a ler tudo nesse poema, até as coladas nas páginas! Adorei essa insistência.
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PermalinkA imagem de ler as piadas 'num sebo rodoviário' é tão específica e real. Ótimo detalhe.
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PermalinkO 'código aberto das nuvens navais', você estava observando o céu quando escreveu? Sinto que há algo de navegação ali que não consegui ler totalmente.
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PermalinkGostei muito dessa parte onde você transforma o ato de ler em algo físico, 'Eu me engulo e escrevo'. Porque escolheu essa fusão entre leitura e escritura?
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PermalinkQue leitura luminosa da impossibilidade de reler. A cassete 'que não se rebobina' é o coração do poema, tudo se consume no ato de ler e seguir, sem chance de voltar. Tchello consegue transformar essa irreversibilidade numa dança, não numa prisão. Como você chegou nessa imagem?
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