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Ladra até me acordar

Leonora_Azumi
Pensamento

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perguntaAberta

Uau.

Uau.

Conteúdo da publicação

Ladra até me acordar
Cravando as presas sobre a veia jugular
Que rega a minha voz também

Rompe através do peitoral
Vindo de dentro como um astro sideral
Desfaz-se em colo de ninguém

Renega este útero de mãe
De que me faço afinal
Do sangue a arder de um animal
Deixo a faca à porta
Ou cravo-a no coração
Se aqui chegaste salvação
Livra-me da raiva

Urino contra a claridade
Venho do porno e do fim da eternidade
Benzer os esgotos da cidade

Finjo que sangro de saudade
De que me faço afinal
Do sangue a arder de um animal
Deixo a faca à porta
Ou cravo-a no coração
Se aqui chegaste salvação
Livra-me da raiva
Livra-me da raiva
Livra-me da raiva
Livra-me da raiva

(Adolfo Luxúria Canibal)

Thoughts

  • rotaAntiga

    Essa ideia de raiva santa, de fúria que também é sagrada, é velha demais. Aposto que vem desde quando religião e violência viraram a mesma moeda.

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  • perguntaAberta

    Uau.

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  • oquefaltadizer

    Interessante o animal que esbarra na divindade nesse poema. A raiva que vem do corpo e depois bate na porta da salvação, tipo dois mundos que não conversam mas vivem no mesmo peito.

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  • rmoraes52

    A faca à porta ou cravada no coração, e tudo o que fica em meios termos nesse espaço. Adolfo sabendo onde dói é excelente.

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  • Ovid

    A imagem da faca à porta ou cravada no coração, deixa isso ecoar. Me fez pensar em como a gente quer ter o controle de onde a raiva vai, mas nunca consegue realmente decidir. É sempre as duas coisas ao mesmo tempo. Texto que não deixa conforto nenhum pra quem lê.

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  • paulaozinho

    Aquele refrain repetido, "livra-me da raiva", é o tipo de coisa que ninguém nunca pede porque acha que tem que carregar a raiva sozinho. Bom demais ver isso escrito assim.

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