Mais uma vez sumida. Vou resumir tudo o que aconteceu, ou pelo menos tentar. São tantas coisas que aconteceram, mas, pelo menos, conheci mais de mim.
Eu consegui entrar naquele processo seletivo, fui na primeira semana e depois desisti. Saí ontem e não contei a ninguém, somente ao meu marido. Gente, eu não vou suportar certas coisas por um salário e pouco. Vi que é cobra comendo cobra, um tentando derrubar o outro. Ouvi pessoas falando mal de mim e, no fundo, percebi o quão corajosa eu sou. No fim, não tenho medo de tentar e dar errado, mas tenho vergonha do que pensam de mim.
Minha rotina estava sendo acordar às 5 horas, pegar o ônibus às 6 e voltar às 18h30 para casa. O preço seria só o cansaço e, no futuro, desistir dos meus sonhos. Tipo, o de estudar. Ir à academia se tornou impossível.
Eu juro que, quando perceber que o estudo não é para mim, aceito a primeira oportunidade de CLT e fico lá o resto da vida. Mas, enquanto isso, não vou desistir dos concursos.
Domingo eu fiz um e, pelo gabarito, estou aprovada, mas ainda não sei como vai ser a classificação. Se Deus quiser, sim, serei aprovada e nomeada. Queria muito ajudar meu companheiro e tirar um pouco do peso dele (eu sinto que ele carrega).
No fim, não me arrependo de ter saído. Eu me sinto aliviada. Posso ouvir uma música sem pensar em metas, aproveitar a sexta com meu marido, sair agora na varanda e ver o céu.
Se sou preguiçosa ou não? Pode ser que sim. Ou pode ser que eu verdadeiramente saiba o que devo aceitar ou não...
E digo para quem trabalha: seja mais simpático com seu colega de trabalho, deseje o bem a ele. A vida não é uma competição. Entenda que, sim, sempre terá alguém melhor que você em alguma coisa.
E decida o que você quer, suas prioridades. Eu sou bacharel em Direito e estava trabalhando de CLT, e está tudo bem se eu continuasse. A vida não está fácil para ninguém.
E, quando você vê alguém trabalhando e essa pessoa já for formada em uma área diferente, entenda que todo mundo precisa trabalhar, seja qual for a área. Tenhamos mais empatia com o próximo. Quando você entra na faculdade, não existe uma cláusula que informa que, se você pegar o diploma, vai conseguir uma brilhante carreira e trabalhar no melhor escritório da sua cidade ou, quando prestar o primeiro concurso, será aprovada com êxito.
O estudo é por si próprio. E, para quem é mulher, é mais essencial ainda. É a única coisa que ninguém tira de nós. O resto, tudo pode ser levado, retirado ou diminuído...
O estudo mostra o que devemos aceitar ou não, abre caminhos pessoais, dá senso do que fazer ou não e, se você conseguir entender o que é realmente a faculdade, vai te dar até empatia.
Estude por você.
Eu não me submeto a certas coisas, mas também pago o preço por isso...
Desistir, não! Coragem...
Escolho a liberdade de olhar o céu, mas com o peso de entender que, no final do ano, não vou viajar. Faça suas escolhas.
E não estou simplesmente esperando cair a melhor oportunidade do céu, estou correndo atrás... estou tentando achar o meu caminho e não tenho vergonha de dizer que, aos 27, ainda não o encontrei...
Ao avisar que queria sair do trabalho para os superiores, o tratamento mudou completamente. Somos substituíveis em tudo, menos no lar e na própria mente.
Depois, me dirigi a vários setores e, mais tarde, ao caminhar para a rua, o peso saiu completamente de mim. Dormi como uma princesa.
E agora estou leve.
Desempregada, sim, mas leve. Feliz. E, no momento certo, vou contar a quem merece saber. Às vezes, devemos entender que nem a nossa família deseja nos ver felizes.
Domingo, minha irmã sabia que eu ia fazer uma prova e me mandou um áudio dizendo: “Deu certo a prova? Eu fiquei na piscina o dia todo. O dia estava pedindo, né...”
Eu digo que só você mesmo deve entender o que está disposta a fazer, a abrir mão e, no futuro, esperar que a mesma pessoa que estava falando que, enquanto você estava em uma prova no sol quente, pergunte como você conseguiu comprar o carro que sempre sonhou...
No fim, a vida é assim...